domingo, 23 de julho de 2023

AGOSTINHO O GRANDE PROBLEMA: RAZÃO E FÉ




Autor: A.    Trapé
(tradução Paolo Cugini)

O problema da relação entre razão e fé, problema fundamental e difícil, atormentou Agostinho como pensador antes de sua conversão e depois o cansou quando quis dar uma solução ao mesmo tempo razoável e frutífera. A partir dela quis construir aquela vasta síntese do pensamento que, seguindo o movimento interior do espírito - que ama a verdade, quer conhecê-la e gozá-la como o bem supremo - inclui filosofia, teologia e misticismo juntos.

A primeira solução que ele deu para esse grande problema foi uma solução errada; errado devido à configuração em que descansou. De fato, aos 19 anos ele aceitou uma abordagem que, embora parecesse verdadeira, estava profundamente equivocada: a abordagem do racionalismo maniqueísta. Este, transformando um frutífero binômio em um dilema disruptivo, rejeitou a fé e seguiu, ou pretendeu seguir, apenas a razão.

A conversão começou com a suspeita de que essa solução poderia estar precisamente, metodologicamente falando, errada.. Ele intuiu que a mente humana, tão sagaz, não poderia ignorar a verdade; ao contrário, ele ignorava como procurá-lo. Isso tinha que partir da autoridade e precisamente de uma autoridade divina.

A suspeita logo se tornou certeza, e a certeza derrubou a abordagem inicial: não mais razão ou fé, mas razão e fé. Só esse binômio lhe parecia razoável e frutífero. Restava apenas estabelecer quem tinha a primazia e qual deveria ser a colaboração entre eles. Ele o estudou longamente e escreveu repetidamente sobre ele, antes e depois de seu batismo. Na sua reflexão, guiando-se pelo lugar insubstituível que a fé ocupa na vida humana - sem a fé, esta seria absolutamente impossível -, concluiu que há dois caminhos que conduzem o homem ao conhecimento da verdade, e não um só: a razão que gera a ciência, a autoridade à qual se adere pela fé. Ele diz: "Somos necessariamente conduzidos ao aprendizado por um duplo princípio: a autoridade e a razão. Na ordem do tempo, a autoridade vem primeiro, na ordem da importância, a razão ". Luminosa distinção que permite à linha doutrinária do bispo de Hipona passar incólume entre as rochas opostas do fideísmo e do racionalismo, reunindo, sem confundi-las, as contribuições da razão, que não perde o seu primado em relação ao conhecimento da verdade, e da fé que tem um primado não absoluto, mas temporal. Ele não quer apenas acreditar, mas também compreender, pois "a alma não deseja nada mais fortemente do que a verdade" e a verdade conhecida no esplendor de sua evidência. O fundamento intelectual do pensamento agostiniano é evidente aqui.

Eis o seu programa: "Todos sabem que somos estimulados ao conhecimento pelo duplo peso da autoridade e da razão. Considero definitivamente certo que nunca devo me distanciar da autoridade de Cristo, porque não consigo encontrar outra mais válida. Quanto ao que deve ser alcançado com a investigação sutil da razão, estou confiante de que, entretanto, encontrarei nos platônicos o que não repugna aos nossos sagrados mistérios. Esta, de fato, é a minha disposição atual: aprender o que é verdadeiro não só com a fé, mas também com a razão".

Seguindo esse programa, ele reúne seu método em dois conhecidos efeitos complementares, quais sejam: "crer para compreender" e "compreender para crer". A primeira indica a utilidade da fé, a segunda a necessidade da razão. Na primeira escreveu um livro famoso que tem este título significativo: A utilidade de acreditar . A fé é útil para todos, até para o filósofo.

Essa utilidade é múltipla e pode ser assim resumida: a fé é o remédio que cura o olho do espírito para que se fixe na verdade indefectível; é a fortaleza inexpugnável que defende e assegura qualquer um, especialmente o débil, da multiplicidade dos erros: "este é o verdadeiro método - exclama Agostinho -: acolher os enfermos no baluarte da fé e, colocando-os já em segurança, lutar por eles com todas as forças da razão"; é o ninho onde se colocam as penas para o voo rumo a altos horizontes de verdade; é o atalho que permite conhecer rapidamente e sem esforço as verdades essenciais que são necessárias para levar uma vida sábia.

Mas a fé nunca é sem razão. Eis a razão do segundo preceito que completa o primeiro: "compreender é crer". Ninguém, de fato, acredita em algo "a menos que primeiro tenha pensado que deve acreditar": "crer não significa outra coisa senão pensar com assentimento... fé que não é pensada não é fé".

É a razão, aliás , que demonstra "em quem acreditar". Portanto, "até a fé tem olhos com os quais vê até certo ponto que o que ainda não vê é verdadeiro". Princípio maravilhoso, que não anula a fé, que permanece, como deve ser, assentimento ao que não se vê, mas que insere a razão no contexto da fé, que já vê "até certo ponto" que aquilo que ainda não vê é verdadeiro. "Até certo ponto", porque uma coisa seria ver aquilo em que se acredita - caso em que, aliás, a fé já não seria fé, mas visão: "não há fé quando se vê" - outra coisa é ver apenas que a autoridade a que se adere pela fé é credível. Portanto, se é razoável, em termos de método, que a fé preceda a razão, também é necessário, em termos de credibilidade, que a razão preceda a fé, caso contrário, isso não seria mais fé, mas vã credulidade.

O importante discurso sobre os olhos da fé é um prelúdio daquele sobre as razões de credibilidade, ao qual Agostinho volta com frequência. "Muitos são os motivos que me mantêm no seio (da Igreja Católica).

1.      O consentimento dos povos e das nações me mantém;

2.      a autoridade fundada com milagres, alimentada com esperança, aumentada pela caridade, consolidada com antiguidade;

3.      a sucessão de bispos, da própria sé do apóstolo Pedro, a quem o Senhor, depois da ressurreição, deu para apascentar suas ovelhas, até o presente episcopado;

4.      enfim, o próprio nome de católico, que não sem razão só esta Igreja obteve manter o crente no seio da Igreja Católica, mesmo que a verdade, devido à lentidão da nossa mente e à indignidade da nossa vida, ainda não apareça .

Desta passagem emergem dois aspectos do método seguido por Agostinho para demonstrar a credibilidade da fé, aspectos que podem ser assim resumidos: de autoridade e de globalidade.

a.       A primeira - o método da autoridade - baseia-se nestes pontos essenciais:

1.      a fé ocupa, também nas questões humanas, um lugar insubstituível;

2.       a necessidade de autoridade divina porque a fé é certa: "Existe uma autoridade divina e uma humana; mas somente a autoridade divina é verdadeira, certa e supremamente autoritária";

3.       a providência não pode deixar a humanidade sem "o caminho aberto a todos para a libertação da alma".

b.      O segundo - o método da globalidade - baseia-se na história da salvação que culmina na realidade histórica da Igreja, grande e perene motivo de credibilidade, como dizia o Concílio Vaticano II.

Veja um primeiro resumo deste método na Epístola 137 (4, 15-16). Termina com as estupendas palavras: “Então, qual é a alma anelante da eternidade e pensativa diante da brevidade da vida presente que há de querer lutar contra a luz e a força sublime desta autoridade divina?”. A exposição mais ampla será então encontrada em De utilitate credendi e finalmente na Cidade de Deus que responde às objeções dos pagãos.

Além disso, Agostinho defende a correção do método, que é assegurar os fracos e vacilantes no reduto da fé para depois lutar por eles com todas as forças da razão. Isso é feito por alguns "homens piedosamente instruídos e verdadeiramente espirituais".

Finalmente, do discurso sobre os olhos da fé emerge a estreita união que existe em Agostinho entre filosofia e teologia, à qual se acrescenta a mística como complemento: três momentos da ascensão do espírito rumo à beleza da sabedoria eterna, três momentos profundamente unidos, sem confusão, na alma e no pensamento de Agostinho: a filosofia tira vantagem da fé, e esta da filosofia, e ambas da mística.

Essa união decorre do próprio método de filosofar agostiniano. Este método tem três pontos fixos:

1.       a busca assídua da evidência da razão, da qual decorre o insistente retorno à autoconsciência onde resplandece a percepção imediata da verdade, a ponto de nem a dúvida nem o erro poderem obscurecê-la;

2.       a utilidade do crer que exclui os "argumentadores tagarelas" - "aqueles que não querem partir da fé" - e prepara para o conhecimento direto da verdade;

3.       a tensão sapiencial que nos leva a buscar a verdade como sumo bem e, portanto, não só a conhecê-la, mas também amá-la e possuí-la. Portanto, este amor primeiro será exaustivo porque está sempre em busca, em movimento; então frutífero , quando a verdade aparecerá em plena visão. Com efeito, a sabedoria não é outra senão «a verdade na qual se conhece e se possui o sumo bem ».

É precisamente este método que confere ao pensamento agostiniano as prerrogativas que o distinguem: luminosidade e calor.

AGOSTINHO - A BUSCA DE DEUS

 



Étienne Gilson 

A BUSCA DE DEUS ATRAVES DA INTELIGENCIA

REFLEXÕES SOBRE A OBRA DE SANTO AGOSTINHO

 

 

Síntese de Paolo Cugini

 

 

 

Primeiro degrau: a fé

 

O primeiro passo sobre o caminho que aponta o pensamento rumo a Deus é a aceitação da revelação mediante a fé. Para realizar esta analise Agostinho utiliza o material da própria experiência pessoal. Por muito tempo, de fato, Agostinho buscou a verdade com a razão; na época das suas convicções maniqueias, pensou até de tê-la encontrado com este método, depois de um período de sofrimento interior, no qual passou também através do ceticismo, Agostinho percebeu que a fé era o caminho certo. Agostinho assim se questionava: não é melhor crer para saber mais do que saber para crer?

Segundo Agostinho crer é um ato do pensamento tão natural e necessário, que não dá pra pensar uma vida humana aonde o crer seja colocado em primeiro lugar. O crer é um pensamento acompanhado de um assentimento. Na vida real acontece que acreditamos aquilo que não podemos saber[1]. O crer, então, é um itinerário do pensamento tão normal, de ser a condição da mesma família e da sociedade.

Além disso, podemos afirma que o crer não tem nada de irracional.

Neste sentido Agostinho nos convida a nos afastar do orgulho humano e de acolher a verdade que Deus nos oferece. A fé então, passa por primeira e a inteligência em segunda. A doutrina agostiniana dos relacionamentos entre fé e razão comporta três momentos:

 

1.                      preparação á fé mediante a razão;

2.                      o ato de fé;

3.                      compreensão do conteúdo da fé.

 

A razão é a condição primeira da mesma possibilidade da fé. O homem é o único ser que possa acreditar porque é o único ser dotado de razão. O homem é a imagem de Deus enquanto é um pensamento que se enriquece progressivamente de sempre maior inteligência, graça ao exercício da razão. Assim a razão vem naturalmente antes da inteligência e também antes da fé. Menosprezar a razão significa, então, menosprezar em nós a imagem de Deus. Só que não podemos confiar só na razão para buscar a Deus.

Através do pecado a imagem de Deus foi deformada e por tanto, também a razão vive esta condição. Deformamos em nós a imagem de Deus, mas ao mesmo tempo nós mesmos não conseguimos reformá-la[2]. Aquilo que a razão pede é um socorro do alto que faça aquilo que ela mesma não consegue realizar. A razão pede a Deus a fé como uma purificação do coração que, libertando-a da feiúra do pecado[3], a ajudará de acrescer a própria luz e de voltar a ser plenamente uma razão.

O primeiro progresso deste socorro que a fé oferece a razão, consiste no encontrar-se amparada na verdade. A fé não vê com clareza a verdade, mas pelo menos consegue a vislumbrar algo da verdade. Ela não vê ainda aquilo que acredita, mas já deseja aprofundar este conhecimento. A fé agostiniana é ao mesmo tempo adesão do Espírito á verdade sobrenatural e humilde abandono de todo o homem á graça de Cristo. A adesão do Espírito á autoridade de Deus supõe a humildade, mas a humildade supõe uma confiança em Deus, ela mesma ato de amor e caridade. Se então se toma o caminho espiritual, aquele que adere á Deus com a fé, não submete simplesmente o seu espírito á letra das formulas, mas dobra a sua alma e todo o seu ser á autoridade de Cristo, que nos doa o exemplo da sabedoria e nos confere os meios para alcançá-la. A fé é o primeiro ato humano seja purificador que iluminador. Eis porque o pensamento humano deve encontrar-se profundamente transformado graça a fé. A recompensa que ele recebe da fé é exatamente a inteligência.

Crer em Deus significa amá-lo. Deus exige uma fé que opere mediante a caridade. Os santos já sabem aquilo que nós acreditamos.

Se temos a obrigação de aceitar a verdade e de pedi-la para recebê-la, a buscamos e a aceitamos mesmo para possuí-la. Buscai e encontrarei quer dizer então, que quem crê ainda não encontrou plenamente; de fato a fé busca, mas é a inteligência que encontra. A inteligência é a recompensa da fé[4].

Deus nunca disse que crer nele seja o objetivo ultimo do homem. De fato, não é no acreditar nele, mas no conhecê-lo[5] que consiste a vida eterna. A fé não é fim a si mesma: ela é o penhor de um conhecimento que debruçara definitivamente na vida eterna.

A razão sozinha é incapaz de conduzir o homem á sabedoria beatifica[6]. A razão sozinha não consegue chegar ao fundamento ultimo da verdade, atingir a Sabedoria sem o socorro da fé[7].

Todas as verdades reveladas podem, em certa medida serem conhecidas; nenhuma delas, porém, pode ser exaurida, pois elas têm Deus como objeto. Se é verdade que a fé busca e a inteligência encontra, Aquele que ela encontra é tal que, encontrando-o, o busca ainda. A fé em Deus precede até a prova da sua existência, para nos estimular a descobri-la, pois é rumo a Deus que a Sabedoria nos conduz, e não se chega a Deus sem Deus.

 

 

Segundo degrau: a evidencia racional

 

O primeiro conselho que Agostinho oferece aquele que entende provar a existência de Deus é de acreditar nele. Antes de demonstrar a existência de Deus é preciso responder aqueles que sustentam que nada é demonstrável. O erro do qual tinha sofrido o jovem Agostinho era o ceticismo da Nova Academia. Os Acadêmicos negam que é possível conhecer algo.  Segundo eles em filosofia nunca se consegue a saber algo.

Agostinho elaborou duas teses sobre o conhecimento sensível:

- considerada como uma simples aparência, tomada como aquilo que é realmente, o conhecimento sensível é infalível;

- colocada como critério da verdade inteligível, da qual difere em modo especifico, nos leva necessariamente no erro.

Na obra “De vita Beata” Agostinho mostra que a certeza da existência do sujeito pensante é fundada sobre a certeza da existência do pensamento. Esta verdade incontestável, é a primeira de todas as certezas.

 

 

Terceiro degrau: a alma e a vida

 

  O pensamento, enquanto se liberta da duvida com a certeza da própria existência, se colhe ao mesmo tempo como uma atividade vital de ordem superior, pois pensar equivale a viver. Então, toda vida tem um próprio principio, ou seja, uma alma; o pensamento, portanto, pertence á ordem da alma. Nessa altura o primeiro problema que deve ser resolvido é sobre a natureza da alma. Agostinho insiste sobre o fato que a alma é uma substancia. Segundo Agostinho a alma é a parte superior do homem[8] O homem é uma alma razoável que se serve de um corpo[9]. Todas as provas concernentes a distinção da alma do corpo são apoiadas sobre o principio que as coisas nas quais  pensamento reconhece necessariamente propriedade essenciais distintas, são necessariamente também coisas distintas. Então o corpo é algo por definição de extenso, longo, largo, e profundo[10]. Nada disso pode-se dizer da alma; a alma, portanto, não é um corpo.

A única coisa da qual a alma é segura, é e ser um pensamento; como conseqüência ela tem direito de distinguir-se de tudo aquilo que não é ela mesma e o dever de não atribuí-lo a si. Sendo que a essência do pensamento é o conhecer, isso capta no mesmo tempo seja a própria substancia que a própria existência; sabe aquilo que é, mesmo enquanto é.

A alma confere vida ao corpo. Agostinho não conseguiu resolver o problema da unidade da pessoa, ou seja o problema do homem. Isso é devido ao fato que Agostinho começa sempre a sua reflexão das verdades da tradição bíblica. A plenitude da reflexão cristã sempre antecipou em Agostinho a sua filosofia. Sobre o homem temos então reflexões plotinianas. Somente santo Tomas conseguirá a resolver o problema deixado aberto por Agostinho.

 A alma é toda inteira em todas as partes do corpo tomadas juntas e toda inteira em cada parte, tomada em particular. A inteira doutrina é suspensa ás idéias de Deus; agora, quando se chega até o fim do problema, a razão metafísica da união da alma e do corpo em santo Agostinho é que a alma deve servir de tramite entre o corpo que vivifica e as Idéias de Deus que o animam. A alma pelo fato de ser espiritual não é separada do nada das idéias divinas, também elas de natureza espiritual. O corpo, pelo fato que é extenso no espaço, é incapaz de participar diretamente á natureza das idéias.

Aquilo que é certo é que a alma é criada por Deus do nada, como todas as substancias.

O corpo se une a alma por amor, como uma força ordenadora e conservadora que o vivifica e o move por dentro[11].

Nos Soliloqui mutua do Fédon do Platão o argumento sobre a subsistência da verdade: a verdade é naturalmente indestrutível[12]. A alma, então, é indestrutível. A alma é vida por definição. A imortalidade da alma participa da evidencia do pensamento.



[1] Cf o exemplo que Agostinho faz sobre o relacionamento entre pai e filho: o filho acredita no pai sem saber se ele mesmo é o seu pai (cf. De Civitate dei, XI,3).

[2] Cf. Homilia 43, 3,4.

[3] Cf. Comento al \salmo 123,2.

[4] Cf. Comento ao Evangelho de João 29,6; carta 120,I,2; Homilia 43 I,1.

[5] Cf. Jo 17,3.

[6] Contra Giuliano pel., IV, 14,72.

[7] Nisso Agostinho se distancia de Platão.

[8] Nisso é clara a influencia do pensamento platônico.

[9] De moribus eccl. Cath. I,4,6.

[10] Cf. De quantitate animae III, 4.

[11] De Civ. Dei XI, 23, 1-2.

[12] Solil. II, 19,33.

O CENTRO DA VIDA ESPIRITUAL EM SANTO AGOSTINHO

 



 

 

Paolo Cugini

 

 

Introdução

 

Um dos grandes méritos de Agostinho é de ter reconduzido todas as virtudes ao tema eterno do amor.

 

A virtude é o amor ordenado[1]”.

 

Agostinho fez do amor o centro da vida espiritual. Para ele a caridade é o conteúdo de todas as Escrituras, a síntese da filosofia, o fim da teologia, a alma da pedagogia, o segredo da política, a essência e a medida da perfeição cristã, a suma de cada virtude, a inspiração da graça, o principio da vida eterna. É neste contexto que se deve entender o famoso aforismo agostiniano: “Ama a faz o que quiser[2]”.

 

 

O Dinamismo da caridade

 

Aqui na terra o homem será sempre justo e pecador[3], pois ele nunca será livre de imperfeições, fraquezas, transgressões: nunca, então, terá a plenitude do amor. Por isso o amor é um mandamento: “Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração”, não como perfeição que devemos ter, mas sim como meta do nosso caminho. Dessa tomada de consciência nasce o dinamismo da Caridade, que nunca deve parar.

 

Acrescenta sempre, sempre caminha, sempre progride: nunca pare no caminho, não voltar atrás, não desviar... É bem melhor um coxo no caminho que um corredor fora[4]”.

 

Este dinamismo se fundamento na mesma natureza do amor, que é essencialmente tensão, movimento, peso, que arrasta o espírito rumo ao lugar do seu descanso e não para até que o tenha encontrado:

 

O meu peso é o meu amor; ele me leva por rodo lado em que eu vou[5]”.

 

 

Radicalidade

 

Tudo te exige aquele que te fez[6]

 

Deus, de fato, não exige só a ação, mas também a intenção, não apenas o louvor da boca, mas antes de tudo do coração, não apenas o obsequio do intelecto por meio da fé, mas também aquele da vontade por meio da obediência. Deus é tudo para o homem: causa do ser, luz do conhecimento, fonte do amor; o homem, então, deve tudo se mesmo a Deus: o ser, o conhecimento, o amor. Nada pode ficar de fora desta exigência divina.

É claro que não se trata da totalidade intensiva, mas sim extensiva, que deve abranger todo o homem, cada sua atividade, cada seu pensamento. O espaço que a caridade não ocupa é tomado pela cobiça, o egoísmo, o amor particular, que é o amor pervertido de sim e dos outros. A partir destas exigências da caridade, nasce a oposição entre o amor de se e o amor de Deus, sobre o qual Agostinho fundamenta a cidade do mundo e a cidade de Deus.

Esta oposição é expressada com os conceitos de cobiça e caridade, cujos reinos são totalmente contrários.  É preciso diminuir o reino da cobiça para dilatar aquilo da caridade.

 

Alimento da caridade é diminuição da cobiça, a perfeição é ausência de cobiça[7]”.

 

Só que a cobiça sumirá somente quando a caridade terá recolhido em unidade e arrumado ruma a Deus todos os motos do coração, tomando assim o domínio do homem todo.

 

 

Desinteresse

 

A tese de fundo do agostinismo no campo espiritual é amar a Deus gratuitamente.

 

Aquilo que não se ama por si mesmo, não se ama[8]”.

 

Este amor não exclui o desejo do premio, quando se trata de Deus. Amar a Deus gratuitamente significa não desejar de Deus a não ser Deus mesmo, “esperar Deus de Deus”. Amar a Deus gratuitamente significa amá-lo por si mesmo, não por algo de estranho a Ele. 

O autentico amor a Deus é fundado sobre o desejo de possuí-lo. Muitas vezes nas pregações dirigidas ao povo, Agostinho faz este raciocínio:

 

 “Põe que Deus te diga: quer viver sempre? Viveras. Quer ser livre e todo mal? O sarais. Quer gozar todos os prazeres? Gozaras. Mas a uma condição: nunca verás a minha face. Se aceitares esta proposta, quer dizer que não existe em te o amor de Deus, se pelo contrario responderás: Não Senhor, fora tudo aquilo que me prometas, doa-me a te mesmo, porque somente a Te eu procuro, quer dizer que a faísca do amor divino besta acendida no teu coração[9]”.

 

Esta noção do amor gratuito que inclui o desejo de Deus, leva Agostinho a distinguir o temor servil do temor casto. O primeiro, se exclui a vontade de pecar, é bom e útil, porque prepara o lugar a caridade, mas só o segundo é inseparável com ela e cresce junto a ela.

 

Irmãos, amamos a Deus com coração puro e casto. Não está certo o coração daquele que honra Deus visando a recompensa[10]”.

 

 

Força de assimilação

 

Aquilo que qualifica o homem não é aquilo que ele conhece mas aquilo que ele ama.

 

“Amas a terra? Serás terra. Amas a Deus? Que dirias, serás Deus? Não quero dizê-lo de mim, escutamos portanto as escrituras: “ Eu disse: vós seis deuses e filhos do Altíssimo, todos[11]”.

                                                                                                                    

Este principio deriva da mesma estrutura do amor, que é dinamismo, abertura ao outro, que não quieta a não ser na assimilação com a pessoa amada; assimilação que quer dizer fusão, perca de identidade, mas perfeita união sendo que os dois, apesar de ficar dois, se tornam uno. Deste principio nascem conseqüências luminosas como esta: amando a Deus nos tornamos capazes das perfeições de Deus, da eternidade, da bondade, da beleza. Por isso:

 

Vivendo na terra, você é já no céu, se amas a Deus[12]”.

 

O amor não é o penhor mas sim o sinal da vida eterna. Amando moramos com o coração na casa que amamos.

Outra conseqüência deste principio é a doutrina da deificação, muito querida aos Pais da Igreja de Oriente (Ortodoxa).

“Deus quer fazer-te Deus, não por natureza, como Aquele que Ele gerou, mas por seu dom e adoção[13]”.

 

“Os homens são deuses não por essência, mas por participação daquele único e verdadeiro Deus[14]”.

 

A participação acontece através do amor que o Espírito Santo derrama nos nossos corações. A deificação, de fato, será completa somente depois da ressurreição dos corpos quando “todo o homem deificado aderirá – como amor -á verdade perpetua e imutável[15]”.

 

È claro que o fundamento de tudo é a encarnação do verbo:

 

Deus se fez homem porque o homem se tornasse Deus[16]”.

 

 

A humildade companheira inseparável da caridade

 

“Aonde tem humildade ali tem caridade[17]”.

 

De fato a humildade é o fundamento sobre o qual se constrói o edifício da caridade, o único caminho para alcançar a possuí-la, a casa aonde ela estabelece a sua moradia. Para encher-se da caridade é preciso esvaziar-se da soberba que é, por definição, desordenado amor de si. Orgulho e humildade são inimigos. Quem não reconhece Deus como criador de onde lhe vem todo bem – o homem conhece o limite, o erro e o pecado – o não confessa a gratuidade da graça que salva, ou não olha a Cristo que oferece se mesmo como modelo de humildade, não pode ter a caridade no coração. Agora estes motivos – metafísico, teológico, cristologico – são aqueles que constituem a razão da humildade. Para Agostinho a humildade se identifica com a sabedoria e a caridade.

 

 

A caridade dom de Deus

 

A caridade, centro da vida espiritual, não se põe sobre o plano natural, mas sim sobre o plano sobrenatural, sobre o qual se apóia toda a mística cristã. A caridade não um esforço humano, mas antes de tudo um dom de Deus, não uma acesa com as nossas forças rumo a Deus, mas antes de tudo a noção de Deus que agarra o homem e o leva nas esferas divinas; não o Eros grego, mas a ágape cristã. Isso não quer dizer que a ágape cristã na seja uma acesa rumo a Deus ou não constitua o cumprimento do mais profundo desejo do espírito humano, que foi feito por Deus e não se acalma até quando não chega em Deus, mas ela supõe a consciência que nós podemos subir a Deus porque o mesmo Deus desceu ao nosso encontro; porque o Espírito Santo derrama o seu dom nos nossos corações.

 

“Desceu Eu, sendo que tu não pode subir: eu sou o Deus de Abraão, Isaq, Jacó[18]”.

 

O texto que fundamenta a posição de Agostinho sobre a Caridade é Rom 5,5.

 



[1] De civ. Dei 15,22.

[2] Cf. Jô. Ep.tr. 7,8.

[3] Perfeição da Justiça do homem.

[4] Serm. 169,18.

[5] Conf. 13,9,10.

[6] Serm. 34,7.

[7] De div.qq.36,1.

[8] Cf. Solil. 1, 13,22.

[9] Cf. Os 85,11;127,9.

[10] Cf. Os 55,17.

[11] Cf. Jô. 2,14.; Ps 81,6.

[12] Cf. Os 85,6.

[13] Ser 166,4.

[14] Cf. Sal 118,16,1.

[15] Ivi.

[16] Cf. Ser 128.

[17] Cf. prólogo carta de João.

[18] Cf. Os 121,5.

O CUME DA VIDA ESPIRITUAL EM SANTO AGOSTINHO

 



 Paolo Cugini

 

 

O primado da vida contemplativa

 

Em muitas obras Agostinho fala deste assunto. Comentando texto da Bíblia, compara personagens bíblicos como Lia e Raquel, Marta e Maria, Pedro e João.

 

Raquel representa a esperança da contemplação eterna de Deus, esperança que já contem em si uma inteligência certa da verdade... Ninguém, então, uma vez liberado pela graça da remissão dos seus pecados, se dirige as obras da justiça se não para alcançar á quiete da contemplação da Palavra, que nos desvende o Principio, ou seja, Deus: amamos então o serviço por amor de Raquel, não de Lia. De fato, quem é que poderia amar o peso deste serviço e as inquietações que ele comporta, quem poderia amar aquela vida por si mesma? Por isso, muitos, de aguçada inteligência, almejam ao estudo e, apesar de ser em condições de governar, evitam toda atividade por causa das suas preocupações que provocam confusão, e se dedicam com toda a alma á busca da verdade[1]”.

 

“As obras de misericórdia nascem de uma necessidade imediata, a doçura da contemplação nasce do amor... Você poderia ser aliviado do peso da necessidade, enquanto é eterna a doçura da verdade. À Maria não será tirado aquilo que escolheu; não só isso, mas lhe será aumentado nesta vida e rendido perfeito na outra, nunca tirado”[2].

 

“De que se deleitava Maria? De que ela se alimentava, o que bebia o seu ávido coração? A justiça, a verdade. Se deleita a verdade: a almejava. Faminta se alimentava dela; sedenta a bebia e a verdade não diminuía... O verdadeiro gozo do coração humano é na luz da verdade, na superabundância da sabedoria: não existe prazer que possa comparar-se de alguma forma a este gozo do coração humano, para que o coração seja justo, santo[3].

 

O discurso agostiniano do primado á contemplação se reduz:

a. ao primado do amor da verdade, que é o primado do amor de Deus vivo e verdadeiro;

b. á eternidade da vida contemplativa a diferença daquela ativa, que dura só nesta vida, aonde existem os míseros que precisam da misericórdia;

c. á altura dos dons que a acompanham: é de fato ligada ao dom da sabedoria, que é o maior dos dons do Espírito Santo, e a bem-aventurança da paz, a maior entre as bem-aventuranças.

 

É inútil dizer que Agostinho apesar de defender o primado da vida contemplativa, insiste sobre a aceitação dos compromissos da vida ativa quando as necessidades da Igreja o exigem, ou seja sobre as exigências do amor. Por isso com feliz intuição e muita originalidade, ensina também através do seu exemplo a conciliar as escolhas da vida monástica e do sacerdócio.

 

O homem de Deus busque a alegrai do silencio, pregue só conforme a necessidade...; gozamos dos bens interiores, nos exteriores seja a necessidade e não a vontade a guiar-nos[4].

 

Ninguém mais do que eu amaria uma vida assim segura e tranqüila: nada de melhor, nada de mais doce que escrutar o divino tesouro longo do ruído do mundo; é algo de doce e bom. Pelo contrario, pregar, corrigir, chamar atenção, edificar, atender ás necessidades de cada um é um grande peso, uma grande fadiga. Quem na fugiria desta grande fadiga? Mas me espanta o Evangelho[5].

 

De verdade o atemorizava o Evangelho, que o convidava a pascer o rebanho de Cristo, que era uma tarefa de amor, mas um amor que o impedia a satisfazer como ele queria um outro amor.

 

Chamo Cristo como testemunho das minhas palavras que preferiria muito mais trabalhar com as minhas mãos cada dia em horas determinadas, como acontece nos mosteiros bem dirigidos, e ter as outras horas livres para ler e rezar ou estudar a Escritura, em vez de sofrer o tormento e a perplexidade dos questionamentos alhures... Mas somos membros da Igreja e servos sobretudos dos membros mais fracos dela[6].

 

 

Acesa rumo á contemplação

 

É cumprida e cansativa, pois supõe as duras fadigas da purificação.

 

Toda a nossa obra nessa vida consiste na purificação do olho do coração com o objetivo de ver a Deus[7].

 

 Isso comporta aquela assídua obra acética que serve não a mortificar mas sim a reordenar o amor.

 

 “Ninguém vos diz não amais. Nunca! Serieis preguiçosos, mortos, míseros se não amais. Amais, mas estais atentos aquilo que amais[8].

 

Arrumar o amor, então, recolocando ordem e paz dentro de nós. Por isso são necessárias as obras do ascetismo cristão, nas quais é preciso insistir, sobretudo nos primeiros passos da vida espiritual. Sobretudo são necessárias aquelas obras que Agostinho chama “as delicias” das almas consagradas:

 

 “A leitura- que quer dizer estudo, meditação, escuta da voz de Deus, dialogo com Deus-, a oração, os salmos, os bons pensamentos, o compromisso com as obras de bem, a espera da vida futura, a elevação do coração[9].

 

Destas obras nasce  silencio, o precioso silencio interior, que é por Agostinho -e não apenas para ele- a condição indispensável para o dialogo com Deus e para a contemplação cheia de amor da beleza divina.

 

A nossa alma precisa de solidão. Se a alma estiver atenta, Deus se deixa ver. A fola é barulhenta: pra ver a Deus é preciso o silencio”[10].

 

Por isso ele pede a Deus este silencio:

 

Liberta-me, o meu Deus –escreve na oração que encerra o De Trindade- liberta-me da multidão de palavras da qual sofro no interior da minha alma... de Fato, não cala o pensamento quanto cala a língua[11].

 

Fruto deste silencio, não vazio, mas sim repleto, é aquilo de recolher todas as potencias do nosso espírito em Deus.

 

O que fazemos quando nos esforçamos de sermos sábios se não recolher, por assim dizer, com o maior entusiasmo possível, toda a nossa alma naquilo que tocamos com a mente, e colocá-la ali, e fixá-la da maneira que não goze mais do seu bem privado (particular) com o qual se ligou as coisas que passam, mas despida-se de todos os afetos temporais e espaciais, agarre o Ser pois é uno e sempre o mesmo[12].

 

A contemplação

Se a acesa e longa e cansativa, pelo contrario a contemplação no seu maior degrau,é rápida e fulgurante, aparecida á uma intuição momentânea.

 

Uma visão que não se pode agüentar longamente[13].

 

Apesar da sua rapidez ela é ao mesmo tempo: “conhecimento e dileção do Ser eterno e imutável, Deus”. Um conhecimento experimental, ou seja, conhecimento amoroso e cheio de luz. Na contemplação, assim como Agostinho a descreve, tem dois elementos: o conhecimento e o amor; de fato importa um “conhecer as coisas divinas” e, ao mesmo tempo, “tocá-las” com a ponta do coração, um alcançar nelas todas as próprias faculdades e o próprio ser. É difícil expressar com palavras esta sublime experiência. Agostinho falou que o senhor as vezes o introduzia num sentimento interior conhecido, que se fosse crescido um pouco assim de ser pleno, esta vida não seria estada mais nunca esta vida. Não podemos, porem identificar esta doutrina como uma visão imediata de Deus. Agostinho o excluiu. A vida contemplativa é vivida aqui na terra  na fé, e só

 

 “poucos a vivem numa qualquer visão da verdade imutável, como num espelho, de forma confusa, imperfeitamente[14].

 

 

A recaída

 

Depois da rápida experiência contemplativa que faz gostar, por um momento, algo que não é desta vida, a volta ás ocupações corriqueiras, é percebido como uma descida, uma “recaída” rumo as coisas que, em comparação com o bem gostado, não se amam mais mas se agüentam em vista daquilo.

 

Quando voltei entre os objetos comuns, tinha comigo só uma lembrança amorosa e a saudade, por assim dizer, dos perfumes de uma comida que não podia ainda saborear[15].

 

A narração da celebre êxtase de Ostia encerra com estas palavras:

 

“... E descemos ao barulho das nossas bocas, aonde a palavra tem principio e fim[16].

 

Outra vês Agostinho escreve:

 

Enfim recai sob os pesos tormentosos da terra. As mesmas ocupações me reabsorvem, me seguram, e muito choro, mas muito me\seguram, tanto é considerável o peso do costume[17].

 

 

Os frutos

 

Em varias ocasiões Agostinho releva os frutos preciosos que derivam da experiência mística, apesar de ser breve e momentânea. Entre os primeiros frutos encontramos a percepção da vaidade das coisas terrenas, as quais se consideradas em si mesmas são admiráveis e belas, mas comparadas aos bens eternos, são como se não fossem. Existem também os frutos da ordem intelectual, aqueles que aumentam o olhar da mente e potenciam a ciência teológica.

 

Veremos, também, as mudanças da natureza corpórea que obedece á lei divina, e assim a mesma ressurreição, que alguns não acreditam, a consideraremos certa como o aparecer do dia depois do por do sol. Assim, também, não olharemos aqueles que menosprezam a Encarnação do Filho de Deus e o seu nascimento de uma virgem e os outros milagres da historia da salvação... O prazer que provamos na contemplação da verdade é tão grande, tão puro, tão sincero, e oferece tanta certeza da verdade, que aquele que o prova acha de não ter nunca sabido as coisas que antes acreditava de saber; e porque a alma possa aderir integralmente á Verdade total, não teme mais a morte... que antes temia[18].

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                         

 

 

 

 

 



[1] Contra Faustum 22, 52-56.

[2] Serm. 103, 4,5.

[3] Serm 179,5,6.

[4] Ps. 139,15.

[5] Serm. 339,4.

[6] De op.mon.29,37; Ep.126,9.

[7] Serm 88, 5.

[8] Ps. 31,s.2,5.

[9] De bono vid. 21,26.

[10] Com João 17,11.

[11] De Trin. 15,28,51.

[12] De lib.arb. 2,16,41.

[13] Serm. 52,16.

[14] De cons.Evang.1,5,8; 1 Cor 13,12.

[15] Confess. 7,17,23.

[16] Ivi 9,10,24.

[17] Ivi 10,40,65.

[18] De quant.an. 33,76.

SÓCRATES (470-399 a.C.)

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