terça-feira, 11 de novembro de 2025

Metafísica da relação

 


Adriano Fabris

 

Tradução do Italiano: Paolo Cugini

 

Sumário: 1. Metafísica. 2. Sentido e explicação. 3. Relação. 4. Universalidade. 5. A ética da relação como metafísica.

1. Metafísica

Se a metafísica é o conhecimento, ou melhor, a experiência daquilo que está além do mundo cotidiano, e se na metafísica essa experiência deve, contudo, manter a diferença entre o que está além deste mundo e o próprio mundo, sem que, com isso, se elimine a relação constitutiva entre os dois níveis, então a elaboração da questão do sentido pode ser um modo adequado, hoje, de fazer metafísica.

Se a perspectiva do niilismo, entendida como predominância de uma atitude de indiferença, permanece como um desafio para o pensamento contemporâneo, e se é verdade que o surgimento do niilismo, desde o seu início, representa uma afirmação explícita do fim da metafísica, então recuperar a questão do sentido, e a possibilidade de dar a ela novas respostas, pode ser o caminho a seguir para contrastar posturas de pensamento excessivamente presentes na mentalidade comum. Por isso, neste contexto, e para desenvolver o tema do nosso congresso, pretendo antes de tudo retomar a questão do sentido.

2. Sentido e Explicação

Mas o que quero dizer com essa palavra? O que significa “sentido”? “Sentido” significa princípio de orientação, horizonte de referência a partir do qual o ser humano é capaz de agir e pensar. A dinâmica do sentido não pode, de fato, ser identificada com a da explicação. A explicação oferece os motivos, as causas pelas quais algo é o que é, e permite gerenciar instrumentalmente nossas relações com as coisas e com outros seres humanos. O sentido, por sua vez, fornece uma motivação, é capaz de envolver na adoção de certos comportamentos, na tomada de escolhas específicas.

O sentido, mais precisamente, tem uma espessura ética ineludível. A explicação busca sobretudo conhecer e controlar o mundo. É, aliás, um mundo que, em sua ordem bem definida, pode também nos ser indiferente, e, portanto, suscitar em nós justamente uma questão de sentido. A dimensão do sentido se contrapõe, com seu poder de envolvimento, à esfera da indiferença. Eis porque a referência ao sentido pode ser considerada um verdadeiro antídoto ao niilismo.

Mas, para desempenhar essa função, aquilo que dá sentido deve transcender o que o recebe, e assim interagir com ele. A explicação, por outro lado, explicita, desvenda, elimina as dobras, coloca tudo no mesmo nível. No caso da explicação, não há diferença de nível entre quem explica e o que é explicado. Não é assim no caso do sentido. Aquilo que orienta e motiva deve transcender aquilo que, justamente em relação a ele, se torna sensato: caso contrário, não pode exercer sua função. Eis porque a relação de sentido é uma relação de transcendência. Eis porque o problema do sentido é um problema metafísico.

3. Relação

Devemos, porém, compreender bem como funciona a dinâmica do sentido. Precisamos entendê-la para oferecer, como disse, um verdadeiro antídoto ao niilismo. Devemos, sobretudo, evitar aqueles erros que podem nos fazer cair novamente em uma dimensão de indiferença.

Para isso, é preciso ter em mente, e destacar constantemente, que a dinâmica do sentido é uma dinâmica de relação. O sentido, para ser tal, não pode ser isolado, concebido como autossuficiente, considerado apenas como objeto de contemplação. Não é desse modo que se realiza a transcendência do sentido: pois, se fosse assim, o sentido não seria capaz de envolver, de orientar realmente. Ele deve ser pensado e vivido em um contexto relacional.

Mas — atenção — trata-se de uma relação em que os termos conectados não anulam, nessa conexão, sua diferença. Ao contrário: é justamente na relação que os envolve que essa diferença é posta em prática, compreendida e levada à maturação. Sem, contudo, transformar-se em contraposição exclusiva e excludente.

A relação, em outros termos, não é realizada posteriormente, arbitrariamente, por algum sujeito que seja capaz, antes de tudo e de modo isolado, de afirmar a si mesmo. Não se parte de algo individual para, depois, talvez, conectá-lo a outros indivíduos. Pelo contrário: para captar a relação adequadamente, para pensá-la de modo sensato, devemos colocá-la como princípio. Mais ainda. Devemos pensar o princípio, o princípio motivador, como algo que é e que se faz enquanto relação. Só assim somos capazes de evitar a insensatez que permeia tanto o mecanismo da explicação quanto o exercício de uma vontade entendida como puro e simples arbítrio.

4. Universalidade

Por sua vez, o princípio da relação não é algo que pode ser simplesmente fixado, com o objetivo de ser contemplado ou teorizado. Se se quer que ele dê sentido e, ao fazê-lo, reafirme sua função metafísica de antídoto ao niilismo, deve ser considerado, sempre, em sua dinâmica relacional. Mas em que consiste propriamente, e de modo concreto, a realização dinâmica dessa relação? Consiste em reafirmar a si mesma justamente ao ser posta em prática. Consiste em um processo de extensão, em uma ampliação progressiva de sua própria atuação. Em outras palavras, a relação assim entendida envolve produzindo outras relações. Sua dinâmica produz universalidade.

Mas a universalidade de que falo deve ser corretamente entendida. Ela também não pode ser fixada e transformada em mero objeto de contemplação. Há, de fato, uma inquietação que atravessa a própria teoria e que a impulsiona a ir além de si mesma. Tal inquietação é devida ao movimento da relação em que estamos envolvidos e que a ética, ao elaborar a questão do sentido, é chamada a expressar e realizar.

Novamente: não estamos lidando aqui com um princípio que, em sua universalidade, se opõe ao particular para, depois, ser aplicado ao próprio particular. Pelo contrário. Na medida em que se trata de uma relação capaz de envolver, capaz de se expandir universalmente, ela se realiza justamente através daqueles elementos particulares que, no presente concreto em que vivemos, estão, de fato, em relação. É, portanto, desse modo de pensar a relação entre universal e particular que devemos partir, entre outras coisas, se quisermos compreender adequadamente a relação entre ética geral e éticas especiais.

Em uma palavra, a universalidade do princípio universal pode ser definida, de forma mais precisa, como universalizabilidade: como potencial de compartilhamento, como crescimento de um espaço comum, como dinâmica de difusão e de acréscimo do elemento particular que experimenta seu sempre já ser.

envolvido em relações sensatas com outros elementos particulares. Mas essas relações só fazem sentido porque remetem a uma orientação preliminar, a uma relação fundadora com aquilo que transcende o âmbito do cotidiano. A universalidade como universalizabilidade é, portanto, o modo pelo qual, ao se difundirem as relações que envolvem os elementos particulares, se coloca em prática e se experimenta a fidelidade ao próprio princípio da relação.

5. A ética da relação como metafísica

Nessa concretização, nessa experiência que podemos realizar, é convocada a responsabilidade de cada um. Cada um, ou seja, é colocado diante da escolha de ser ou não fiel ao princípio da relação que o caracteriza em seu ser. Com o surgimento dessa escolha, com a abertura de uma dimensão de liberdade, desdobra-se – justamente em referência ao princípio da relação, à sua efetivação dinâmica, à sua capacidade de dar sentido contrastando o niilismo, à sua difusão universal – o espaço da ética.

A ética, entendida como disciplina específica da filosofia, faz exatamente isso: estuda e realiza as formas da boa relação. A fórmula que expressa o caráter específico da ética, enquanto (repito) disciplina filosófica, é a fórmula em que se manifesta a condição de uma boa relação. O exercício de um comportamento ético é, de fato, sinal de uma abertura, é a concretização de uma dinâmica de abertura. A definição desse comportamento permite estabelecer da maneira mais precisa, no plano dos conteúdos, o que pode ser propriamente definido como ético e o que não pode. Eis, portanto, a fórmula: se o termo “ética” indica um campo de relações e pretende promover relações que possam ser definidas como boas, envolventes, então especificamente ética é aquela relação que resulta fecunda de outras relações, as quais podem se estender potencialmente ao infinito.

A relação ética, em outras palavras, atua como difusora de si mesma. Por isso é capaz de envolver. E somente assim realiza o universal. Mas o faz não instituindo-o, mas sim confirmando, nesse seu agir, a dinâmica relacional na qual estamos sempre envolvidos. Faz isso remetendo a uma dimensão ulterior, que sozinha pode dar sentido a esse agir. Realiza, assim, a referência à metafísica. Eis, em suma, de que modo a ética da relação aqui apresentada se configura como um modo, e um modo privilegiado, de realizar e de reconfirmar aquela estrutura metafísica que pertence a todo ser humano.

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