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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A METAFISICA RELACIONAL E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS

 




 

1. Aplicação da metafisica relacional na física quântica

A física clássica (newtoniana) funcionava sob a lógica da metafísica tradicional: o universo seria feito de "tijolos" de matéria sólidos e independentes que colidem entre si. A mecânica quântica quebrou esse paradigma, mostrando que a realidade no nível subatômico é intrinsecamente relacional.

  • O Entrelaçamento quântico: Quando duas partículas entram em emaranhamento, as propriedades de uma determinam instantaneamente as da outra, não importa a distância. Elas deixam de ser dois objetos separados e passam a existir como um único sistema relacional.
  • Interpretação Relacional (Carlo Rovelli): Proposta pelo físico teórico Carlo Rovelli, essa interpretação afirma que as variáveis de um sistema físico (como posição, velocidade ou spin) não têm valores absolutos. Elas só adquirem realidade no momento da interação com outro sistema ou observador. O mundo não é um conjunto de objetos com propriedades prontas; é um jogo de espelhos onde as coisas só existem umas para as outras.

 

2. A Filosofia de Alfred North Whitehead

O matemático e filósofo Alfred North Whitehead (1861–1947) foi o maior arquiteto de uma metafísica relacional sistemática, conhecida como Filosofia do processo.

  • Entidades atuais (Actual Entities): Para Whitehead, a realidade fundamental não é feita de "coisas" estáticas, mas de "eventos" ou "visões de experiência" que ocorrem no tempo. Uma gota de experiência é a unidade básica do universo.
  • Apreensão (Prehension): Este é o conceito central de sua obra. Cada nova entidade atual "apreende" (absorve, reage e se apropria de) todo o passado do universo para constituir a si mesma.
  • A Natureza como fluxo: Não existe um "sujeito" que depois age; o ato de se relacionar é o que cria o sujeito. O universo é um organismo vivo em constante evolução e co-criação.

 

3. Consciência e sociedade

Ao abandonar a ideia de que somos indivíduos isolados ("átomos sociais") flutuando em um mundo neutro, a metafísica relacional transforma nossa visão sobre a mente e a vida coletiva.

Na Consciência (Mente e Eu)

  • Crítica ao dualismo: Supera a divisão de Descartes entre mente (substância pensante) e corpo (substância física). A mente não é uma "coisa" trancada no crânio.
  • Mente estendida e enativismo: Teorias cognitivas modernas argumentam que a consciência emerge da interação dinâmica entre o cérebro, o corpo e o ambiente. Nós não apenas processamos o mundo; nós o co-criamos por meio de nossas ações e relações com ele.

Na sociedade e ética

  • O Eu interdependente: O indivíduo não preexiste à sociedade. Nós somos moldados pelas redes de linguagem, cultura e afeto nas quais nascemos. Como diz a filosofia africana Ubuntu: "Eu sou porque nós somos".
  • Eco-filosofia: Destrói a ilusão de que a humanidade é uma substância separada da "natureza". O colapso climático e as redes ecológicas provam que o bem-estar de uma parte da rede depende do equilíbrio de todo o sistema relacional.

 

 

domingo, 23 de agosto de 2026

CURSO DE METAFÍSICA (em vídeos)

 



FACULDADE CATÓLICA DO AMAZONAS - MANAUS

 


 

Introdução: https://www.youtube.com/watch?v=b0f5VdaBZhQ&list=PLW7U_GiYnZtk&index=2&t=1977s

Slides introdução a metafisica: https://www.academia.edu/143024064/CURSO_DE_METAFISICA_introdu%C3%A7%C3%A3o

 

 

PRIMEIRO MODULO: A METAFISICA CLÁSSICA

a.       O sistema metafisico platônico (primeira parte) https://www.youtube.com/watch?v=fpNSW2cco40&list=PLW7U_GiYnZtk&index=5&t=6s

 

b.      O sistema metafisico platônico (segunda parte) https://www.youtube.com/watch?v=y_GF_coZR4A&list=PLW7U_GiYnZtk&index=4

 

Texto sobre a metafisica de Platão: https://paideiafca.blogspot.com/2024/12/a-mediacao-tentada-por-platao-entre.html

 

Slides sobre Platão: https://www.academia.edu/34376455/CURSO_DE_INTRODU%C3%87%C3%83O_A_FILOSOFIA_PARTE_C_PLATAO

 

 

c.       A metafisica aristotélica https://www.youtube.com/watch?v=WMR4JNbj9fY&list=PLW7U_GiYnZtk&index=3

 

Slides sobre a metafisica de Aristóteles: https://www.academia.edu/26428538/INTRODU%C3%87%C3%83O_AO_PENSAMENTO_DE_ARIST%C3%93TELES

 

Texto sobre a metafisica de Aristóteles: https://paideiafca.blogspot.com/2024/12/o-pensamento-de-aristoteles.html

 

SEGUNDO MODULO: A METAFISICA CRISTÃ

a.      Os sistemas médio-platônico e neoplatônico

 

Texto sobre médio platonismo: https://paideiafca.blogspot.com/2025/05/o-medio-platonismo-e-redescoberta-da.html

 

Texto sobre Plotino e o neoplatonismo: https://paideiafca.blogspot.com/2025/05/plotino-e-o-neoplatonismop-pagao.html

 

 

b.      A novidade da metafisica cristã  https://www.youtube.com/watch?v=aK_Jn5V2XvM&list=PLF75XJKdIxCM&index=2&t=39s

 

Texto sobre Agostinho: https://paideiafca.blogspot.com/2023/07/agostinho-o-grande-problema-razao-e-fe.html

 

Slides metafisica de Anselmo d-Aosta: https://www.academia.edu/29205377/SANTO_ANSELMO_DAOSTA

 

 

TERCEIRO MODULO: OS SISTEMAS METAFÍSICOS DA ÉPOCA MODERNA

a.      A metafisica de Leibniz

https://www.youtube.com/watch?v=lLQf-shnD38&list=PLW7U_GiYnZtk&index=6

 

Texto sobre a metafisica de Leibniz: https://paideiafca.blogspot.com/2024/03/leibniz-lipsia-1646-1716.html

 

Slides sobre Leibniz: https://www.academia.edu/144224456/A_filosofia_de_Gottfried_Wilhelm_von_Leibniz_Lipsia_1646_1716_

 

 

b.      A metafisica de Immanuel Kant

https://www.youtube.com/watch?v=wME76kBIGWk&list=PLW7U_GiYnZtk&index=7&t=1624s

 

Texto metafisica de Kant: https://paideiafca.blogspot.com/2024/05/emanuel-kant-1724-1804-critica-da-razao.html

 

c.       A proposta hegeliana

 Video: https://www.youtube.com/watch?v=IpGiDEyBSXc&t=14s

Slides metafisica hegeliana: https://www.academia.edu/119953476/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel_Estugarda_1770

 

QUARTO MODULO: A METAFÍSICA CONTEMPORANEA

a.       O pensamento pós-metafisico https://www.youtube.com/watch?v=PGefpPchg7w&list=PLW7U_GiYnZtk&index=1&t=5s

 

Artigos do professor sobre F. Nietzsche:

1.      https://paideiafca.blogspot.com/2025/10/nietzsche-critico-da-moral-e-do.html

 

2.      https://paideiafca.blogspot.com/2025/10/o-pensamento-antimetafisico-de-nietzsche.html

 

Artigo do professor sobre Gianni Vattimo: https://revistaeclesiasticabrasileira.itf.edu.br/reb/article/view/855

 

Pensamento pós-metafisico de Habermas (síntese do professor): https://paideiafca.blogspot.com/2023/08/jurgen-habermas-pensamento-pos.html

 

 

b.      Metafísica relacional: https://www.youtube.com/watch?v=nLzphOtPmVw

  

Textos:

1.       https://paideiafca.blogspot.com/2025/11/pontos-principais-da-metafisica.html

2.      https://paideiafca.blogspot.com/2025/11/metafisica-trinitaria-e-ontologias.html (teoria de Migliorini)

3.      https://paideiafca.blogspot.com/2025/11/ontologia-relacional-contemporanea.html

 

 

PROVA FINAL

1.    https://paideiafca.blogspot.com/2026/09/curso-de-metafisica-prova-final.html

1.  

 Aqui a playlist com todos os vídeos do curso de metafísica:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLW7U_GiYnZtk

 

BIBLIOGRAFIA

https://paideiafca.blogspot.com/2025/09/bibliografia-sobre-metafisica.html

 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Metafísica da relação

 


Adriano Fabris

 

Tradução do Italiano: Paolo Cugini

 

Sumário: 1. Metafísica. 2. Sentido e explicação. 3. Relação. 4. Universalidade. 5. A ética da relação como metafísica.

1. Metafísica

Se a metafísica é o conhecimento, ou melhor, a experiência daquilo que está além do mundo cotidiano, e se na metafísica essa experiência deve, contudo, manter a diferença entre o que está além deste mundo e o próprio mundo, sem que, com isso, se elimine a relação constitutiva entre os dois níveis, então a elaboração da questão do sentido pode ser um modo adequado, hoje, de fazer metafísica.

Se a perspectiva do niilismo, entendida como predominância de uma atitude de indiferença, permanece como um desafio para o pensamento contemporâneo, e se é verdade que o surgimento do niilismo, desde o seu início, representa uma afirmação explícita do fim da metafísica, então recuperar a questão do sentido, e a possibilidade de dar a ela novas respostas, pode ser o caminho a seguir para contrastar posturas de pensamento excessivamente presentes na mentalidade comum. Por isso, neste contexto, e para desenvolver o tema do nosso congresso, pretendo antes de tudo retomar a questão do sentido.

2. Sentido e Explicação

Mas o que quero dizer com essa palavra? O que significa “sentido”? “Sentido” significa princípio de orientação, horizonte de referência a partir do qual o ser humano é capaz de agir e pensar. A dinâmica do sentido não pode, de fato, ser identificada com a da explicação. A explicação oferece os motivos, as causas pelas quais algo é o que é, e permite gerenciar instrumentalmente nossas relações com as coisas e com outros seres humanos. O sentido, por sua vez, fornece uma motivação, é capaz de envolver na adoção de certos comportamentos, na tomada de escolhas específicas.

O sentido, mais precisamente, tem uma espessura ética ineludível. A explicação busca sobretudo conhecer e controlar o mundo. É, aliás, um mundo que, em sua ordem bem definida, pode também nos ser indiferente, e, portanto, suscitar em nós justamente uma questão de sentido. A dimensão do sentido se contrapõe, com seu poder de envolvimento, à esfera da indiferença. Eis porque a referência ao sentido pode ser considerada um verdadeiro antídoto ao niilismo.

Mas, para desempenhar essa função, aquilo que dá sentido deve transcender o que o recebe, e assim interagir com ele. A explicação, por outro lado, explicita, desvenda, elimina as dobras, coloca tudo no mesmo nível. No caso da explicação, não há diferença de nível entre quem explica e o que é explicado. Não é assim no caso do sentido. Aquilo que orienta e motiva deve transcender aquilo que, justamente em relação a ele, se torna sensato: caso contrário, não pode exercer sua função. Eis porque a relação de sentido é uma relação de transcendência. Eis porque o problema do sentido é um problema metafísico.

3. Relação

Devemos, porém, compreender bem como funciona a dinâmica do sentido. Precisamos entendê-la para oferecer, como disse, um verdadeiro antídoto ao niilismo. Devemos, sobretudo, evitar aqueles erros que podem nos fazer cair novamente em uma dimensão de indiferença.

Para isso, é preciso ter em mente, e destacar constantemente, que a dinâmica do sentido é uma dinâmica de relação. O sentido, para ser tal, não pode ser isolado, concebido como autossuficiente, considerado apenas como objeto de contemplação. Não é desse modo que se realiza a transcendência do sentido: pois, se fosse assim, o sentido não seria capaz de envolver, de orientar realmente. Ele deve ser pensado e vivido em um contexto relacional.

Mas — atenção — trata-se de uma relação em que os termos conectados não anulam, nessa conexão, sua diferença. Ao contrário: é justamente na relação que os envolve que essa diferença é posta em prática, compreendida e levada à maturação. Sem, contudo, transformar-se em contraposição exclusiva e excludente.

A relação, em outros termos, não é realizada posteriormente, arbitrariamente, por algum sujeito que seja capaz, antes de tudo e de modo isolado, de afirmar a si mesmo. Não se parte de algo individual para, depois, talvez, conectá-lo a outros indivíduos. Pelo contrário: para captar a relação adequadamente, para pensá-la de modo sensato, devemos colocá-la como princípio. Mais ainda. Devemos pensar o princípio, o princípio motivador, como algo que é e que se faz enquanto relação. Só assim somos capazes de evitar a insensatez que permeia tanto o mecanismo da explicação quanto o exercício de uma vontade entendida como puro e simples arbítrio.

4. Universalidade

Por sua vez, o princípio da relação não é algo que pode ser simplesmente fixado, com o objetivo de ser contemplado ou teorizado. Se se quer que ele dê sentido e, ao fazê-lo, reafirme sua função metafísica de antídoto ao niilismo, deve ser considerado, sempre, em sua dinâmica relacional. Mas em que consiste propriamente, e de modo concreto, a realização dinâmica dessa relação? Consiste em reafirmar a si mesma justamente ao ser posta em prática. Consiste em um processo de extensão, em uma ampliação progressiva de sua própria atuação. Em outras palavras, a relação assim entendida envolve produzindo outras relações. Sua dinâmica produz universalidade.

Mas a universalidade de que falo deve ser corretamente entendida. Ela também não pode ser fixada e transformada em mero objeto de contemplação. Há, de fato, uma inquietação que atravessa a própria teoria e que a impulsiona a ir além de si mesma. Tal inquietação é devida ao movimento da relação em que estamos envolvidos e que a ética, ao elaborar a questão do sentido, é chamada a expressar e realizar.

Novamente: não estamos lidando aqui com um princípio que, em sua universalidade, se opõe ao particular para, depois, ser aplicado ao próprio particular. Pelo contrário. Na medida em que se trata de uma relação capaz de envolver, capaz de se expandir universalmente, ela se realiza justamente através daqueles elementos particulares que, no presente concreto em que vivemos, estão, de fato, em relação. É, portanto, desse modo de pensar a relação entre universal e particular que devemos partir, entre outras coisas, se quisermos compreender adequadamente a relação entre ética geral e éticas especiais.

Em uma palavra, a universalidade do princípio universal pode ser definida, de forma mais precisa, como universalizabilidade: como potencial de compartilhamento, como crescimento de um espaço comum, como dinâmica de difusão e de acréscimo do elemento particular que experimenta seu sempre já ser.

envolvido em relações sensatas com outros elementos particulares. Mas essas relações só fazem sentido porque remetem a uma orientação preliminar, a uma relação fundadora com aquilo que transcende o âmbito do cotidiano. A universalidade como universalizabilidade é, portanto, o modo pelo qual, ao se difundirem as relações que envolvem os elementos particulares, se coloca em prática e se experimenta a fidelidade ao próprio princípio da relação.

5. A ética da relação como metafísica

Nessa concretização, nessa experiência que podemos realizar, é convocada a responsabilidade de cada um. Cada um, ou seja, é colocado diante da escolha de ser ou não fiel ao princípio da relação que o caracteriza em seu ser. Com o surgimento dessa escolha, com a abertura de uma dimensão de liberdade, desdobra-se – justamente em referência ao princípio da relação, à sua efetivação dinâmica, à sua capacidade de dar sentido contrastando o niilismo, à sua difusão universal – o espaço da ética.

A ética, entendida como disciplina específica da filosofia, faz exatamente isso: estuda e realiza as formas da boa relação. A fórmula que expressa o caráter específico da ética, enquanto (repito) disciplina filosófica, é a fórmula em que se manifesta a condição de uma boa relação. O exercício de um comportamento ético é, de fato, sinal de uma abertura, é a concretização de uma dinâmica de abertura. A definição desse comportamento permite estabelecer da maneira mais precisa, no plano dos conteúdos, o que pode ser propriamente definido como ético e o que não pode. Eis, portanto, a fórmula: se o termo “ética” indica um campo de relações e pretende promover relações que possam ser definidas como boas, envolventes, então especificamente ética é aquela relação que resulta fecunda de outras relações, as quais podem se estender potencialmente ao infinito.

A relação ética, em outras palavras, atua como difusora de si mesma. Por isso é capaz de envolver. E somente assim realiza o universal. Mas o faz não instituindo-o, mas sim confirmando, nesse seu agir, a dinâmica relacional na qual estamos sempre envolvidos. Faz isso remetendo a uma dimensão ulterior, que sozinha pode dar sentido a esse agir. Realiza, assim, a referência à metafísica. Eis, em suma, de que modo a ética da relação aqui apresentada se configura como um modo, e um modo privilegiado, de realizar e de reconfirmar aquela estrutura metafísica que pertence a todo ser humano.

Pontos principais da metafísica relacional e seus autores

 




 

 

(Paolo Cugini, org.)

A metafísica relacional é uma corrente filosófica que considera a relação como elemento fundamental da realidade. Diferentemente das abordagens substancialistas, que enfatizam o indivíduo ou a substância como entidade primária, a metafísica relacional sustenta que as relações antecedem ou constituem a própria realidade dos entes. Nessa perspectiva, existir significa ser-em-relação.

Pontos principais da metafísica relacional

Primazia da relação sobre o indivíduo: “Não há ser senão em relação.” (Emanuele Severino)

Ontologia da relação: A realidade é constituída por redes de interconexões, e a identidade de cada ente deriva da sua conexão com os outros. (Paul F. Natorp: “O ser é ser-relação.”)

Superação da dicotomia sujeito-objeto: A relação não é apenas um vínculo entre dois entes, mas a estrutura originária que os constitui e os torna compreensíveis. (Gabriel Marcel: “Ser significa ser com.”)

Interdependência e processualidade: Os entes são processos em constante transformação, seu ser muda conforme as relações. (Alfred North Whitehead: “O processo é o princípio último da realidade.”)

Constitutividade da alteridade: O outro não é apenas o termo da relação, mas condição da minha identidade. (Martin Buber: “O homem torna-se eu apenas através do tu.”)

 

Principais autores da metafísica relacional

Alfred North Whitehead (1861–1947): Fundador da “filosofia do processo”, vê a realidade como um conjunto de eventos relacionais, onde o “tornar-se” é mais fundamental do que o “ser”. “A realidade é em todos os seus pontos processual e relacional.” (Process and Reality, 1929)

Martin Buber (1878–1965): Em sua obra-prima Eu e Tu, afirma que a vida autêntica ocorre apenas no diálogo e na reciprocidade. “Toda vida verdadeira é encontro.” (Ich und Du, 1923)

Gabriel Marcel (1889–1973): Filósofo francês do existencialismo cristão, para quem a relação é princípio ontológico. “O ser se dá como participação.” (Le mystère de l’être, 1951)

Paul F. Natorp (1854–1924): Apresenta uma metafísica da relação em seu pensamento neokantiano, destacando o entrelaçamento constitutivo entre sujeito e realidade. “A realidade está no seu ser-relação.” (Philosophie und Pädagogik, 1907)

Emanuele Severino (1929–2020): Em seus estudos sobre o ser, afirma que a relação é condição do próprio ser. “A relação não é entre seres, mas é o ser dos seres.” (Oltre il linguaggio, 1992)

 

Citações significativas

Whitehead: “A realidade é o processo das suas relações.”

Buber: “O mundo se realiza no diálogo.”

Marcel: “Não posso ser sem o outro.”

Severino: “Ser-relação é a verdade originária.”

 

A metafísica relacional representa uma mudança de paradigma: a relação deixa de ser um atributo acidental e passa a ser o princípio constitutivo da realidade. Os autores citados ofereceram diferentes formas de compreender e desenvolver essa perspectiva, que atualmente ganha nova vitalidade também nas ciências cognitivas, na filosofia da mente e na ecologia.


sábado, 1 de novembro de 2025

Pontos principais da metafísica relacional e seus autores

 




(Paolo Cugini, org.)

A metafísica relacional é uma corrente filosófica que considera a relação como elemento fundamental da realidade. Diferentemente das abordagens substancialistas, que colocam ênfase no indivíduo ou na substância como entidade primária, a metafísica relacional defende que as relações precedem ou constituem a própria realidade dos entes. Nessa perspectiva, existir significa “ser-em-relação”.

 

Pontos principais da metafísica relacional

Primazia da relação sobre o indivíduo: “Não existe ser senão em relação.” (Emanuele Severino)

Ontologia da relação: A realidade é constituída por redes de interconexões, e a identidade de cada ente deriva do seu estar conectado aos outros. (Paul F. Natorp: “O ser é ser-relação.”)

Superação da dicotomia sujeito-objeto: A relação não é um simples vínculo entre dois entes, mas a estrutura originária que os constitui e os torna compreensíveis. (Gabriel Marcel: “Ser significa ser com.”)

Interdependência e processualidade: Os entes são processos em constante transformação, e seu ser muda conforme as relações. (Alfred North Whitehead: “O processo é o princípio último da realidade.”)

Constitutividade da alteridade: O outro não é apenas o termo da relação, mas condição da minha identidade. (Martin Buber: “O homem torna-se eu apenas através do tu.”)

 

Principais autores da metafísica relacional

Alfred North Whitehead (1861–1947): Fundador da “filosofia do processo”, vê a realidade como um conjunto de eventos relacionais, em que o “tornar-se” é mais fundamental do que o “ser”. “A realidade é, em cada ponto, processual e relacional.” (Process and Reality, 1929)

Martin Buber (1878–1965): Em sua obra-prima Eu e Tu, afirma que a vida autêntica só existe no diálogo e na reciprocidade. “Toda verdadeira vida é encontro.” (Ich und Du, 1923)

Gabriel Marcel (1889–1973): Filósofo francês do existencialismo cristão, para quem a relação é princípio ontológico. “O ser se apresenta como participação.” (Le mystère de l’être, 1951)

Paul F. Natorp (1854–1924): Expõe uma metafísica da relação em seu pensamento neokantiano, destacando o entrelaçamento constitutivo entre sujeito e realidade. “A realidade está em seu ser-relação.” (Philosophie und Pädagogik, 1907)

Emanuele Severino (1929–2020): Em seus estudos sobre o ser, afirma que a relação é condição do próprio ser. “A relação não é entre seres, mas é o ser dos seres.” (Oltre il linguaggio, 1992)

Citações significativas

ü  Whitehead: “A realidade é o processo de suas relações.”

ü  Buber: “O mundo se realiza no diálogo.”

ü  Marcel: “Não posso ser sem o outro.”

ü  Severino: “Ser-relação é a verdade originária.”

 

A metafísica relacional representa uma mudança de paradigma: a relação deixa de ser um atributo acidental e passa a ser o princípio constitutivo da realidade. Os autores aqui citados ofereceram diferentes formas de compreender e desenvolver essa perspectiva, que hoje encontra nova vitalidade também nas ciências cognitivas, na filosofia da mente e na ecologia.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Pensamento antimetafísico de Nietzsche

 

 


(1844-1900)

O pensamento antimetafísico de Nietzsche critica a metafísica pela sua pretensão de fundamentar o mundo em essências imutáveis e valores absolutos, como o bem e o mal. Nietzsche sustenta que estes conceitos são construções humanas, “coisas humanas, demasiado humanas”, e não realidades objetivas, projetadas sobre uma suposta ordem superior devido à necessidade e ao medo. Nesse sentido, ele rejeita a filosofia tradicional que busca ultrapassar o mundo sensível e corpóreo para alcançar verdades transcendentes, concentrando-se, em vez disso, na existência humana concreta e na vontade de potência.

Pontos-chaves do pensamento antimetafísico de Nietzsche

1.      Rejeição das essências e dos valores absolutos: Nietzsche ridiculariza a ideia de que existam essências ou substâncias intrínsecas às coisas, como “o bem” e “o mal” em si mesmos.

 

2.      Crítica às ilusões humanas: A metafísica é vista como uma construção humana, resultado da vontade de encontrar um sentido superior para poder dar ordem à própria existência.

 

 

3.      Valores como criações humanas: Os valores morais e as ideias “ideais” são interpretados por Nietzsche como projeções humanas, isto é, “coisas humanas, demasiado humanas”.

 

4.      Foco na existência concreta: A sua filosofia concentra-se na vida terrena, na vontade de potência e na criação de novos valores, em oposição ao transcendentalismo metafísico.

 

 

5.      Uso do sarcasmo e da ironia: Muitas vezes, utiliza uma linguagem provocadora e irónica para desmascarar os fundamentos da metafísica tradicional.

 

6.      Nietzsche nega toda realidade transcendente.

 

"Aquilo que me separa de forma mais profunda dos metafísicos é isto: não lhes concedo que o eu seja aquilo que pensa; ao contrário, considero o próprio eu uma construção do pensamento, com o mesmo valor que matéria, coisa, substância, indivíduo, propósito, número; portanto, apenas uma ficção reguladora, com a ajuda da qual se introduz, se inventa, numa realidade em constante transformação, uma espécie de estabilidade e, assim, de possibilidade de conhecimento."

(Fragmentos Póstumos 1884-1885)

 

“Mas o que são, afinal, as verdades do homem? – São os erros irrefutáveis ​​do homem.” Enquanto em A Vontade de Poder, Nietzsche escreve: “A nova coragem – nenhuma verdade a priori (aqueles acostumados à fé buscam tais verdades!), mas a livre subordinação a um pensamento dominante, que tem seu próprio tempo.

Nietzsche quer negar a existência de uma dimensão absoluta da verdade localizada em outro lugar, em oposição a uma não-verdade, como aquela que é própria da transitoriedade material do imanente.

·         transvaloração de todos os valores.

·         É interessante observar a relação de Nietzsche com o iluminismo.

 O anuncio do Spuer-homem

O super-homem de Nietzsche é um ideal filosófico de um ser que superou a si mesmo e transcendeu as limitações morais e sociais, criando seus próprios valores em vez de seguir os preceitos da moralidade tradicional. Este indivíduo vive autenticamente, afirma a vida em sua plenitude, supera o ressentimento e o niilismo, e é um "artista" da própria existência, em constante autossuperação e busca por um propósito. 

Características principais:

  • Autossuperação: 

O super-homem é aquele que se eleva acima da condição humana "velha e desgastada", superando as limitações de si mesmo. 

  • Criação de valores: 

Ele não busca moralidade externa, mas cria suas próprias crenças e um sistema de valores a partir de uma perspectiva extramoral. 

  • Afirmação da vida: 

A sua filosofia é baseada na afirmação da vida, inclusive de seus aspectos trágicos, e na aceitação de que a existência não tem um sentido predefinido. 

  • Superação do niilismo: 

É a figura que vence o niilismo, a descrença no sentido da vida, através da criação de um novo propósito. 

  • Liberdade e força: 

É um ser livre de dogmas e correntes sociais, forte e "dono de si", que aceita a luta e o perigo como parte de sua existência. 

  • O "Artista" da vida: 

Ele é como um dançarino, que transforma o caos da existência em sua própria criação, superando a si mesmo constantemente


OBRAS

O nascimento da Tragedia 1872

Considerações inatuais 1873-1876

Humano demasiado humano 1878

Aurora 1881

A gaia ciência 1882

Assim falou Zaratustra 1883

Além do bem e do mal 1886

Genealogia da moral 1887

O crepúsculo dos ídolos 1888

O Anticristo 1888 (publicado em 1894)

Ecce homo 1888

CURSO DE ECLESIOLOGIA-PROVA FINAL

    FACULDADE CATÓLICA DO AMAZONAS Propedêutico do mestrado em Direito Canônico   Professor: Paolo Cugini e-mail: manausfcm@gmail.com   O/a ...