segunda-feira, 23 de março de 2026

SISTEMA GEOCÊNTRICO E SISTEMA HELIOCÊNTRICO

 




 

sistema geocêntrico é uma antiga teoria astronômica que coloca a Terra como o centro do universo

Nesse modelo, acreditava-se que o Sol, a Lua, os planetas e todas as estrelas giravam em torno da Terra em órbitas circulares. Ele foi a visão dominante por muitos séculos, sendo defendido por nomes como Aristóteles e refinado por Ptolemeu (100-170 d.C.) até ser substituído pelo modelo heliocêntrico (Sol no centro) a partir do século XVI. 

Esta era a teoria sustentada por Aristóteles, que defendia que a Terra estava imóvel no centro do universo, com os corpos celestes girando ao seu redor em esferas concêntricas. 

Ele detalhou essa visão principalmente na obra Sobre o Céu (De Caelo).  Aristóteles dividia o cosmos em duas regiões completamente distintas, separadas pela órbita da Lua:

  1. Mundo Sublunar (Terra): Abrange tudo abaixo da Lua. É o reino da imperfeição, da mudança e da corrupção. Tudo aqui é composto pela mistura de quatro elementos (terra, água, ar e fogo) que se movem em linha reta (para cima ou para baixo).
  2. Mundo Supralunar (Céus): Abrange a Lua, os planetas e as estrelas. É o reino da perfeição e da imutabilidade. Tudo é feito de um quinto elemento puro, o Éter (ou quintessência), e o movimento é sempre o círculo perfeito, que não tem início nem fim.

Para ele, os astros eram incrustados em esferas de cristal que giravam mecanicamente, movidas em última instância por um "Primeiro Motor Imóvel". Para Aristóteles, os planetas não flutuavam no vácuo; eles estavam fixos em esferas sólidas e transparentes (as esferas de cristal), como joias presas em anéis.

O problema era que, vistos da Terra, os planetas às vezes parecem andar para trás (movimento retrógrado). Para resolver isso e manter o dogma do círculo perfeito, a solução foi a física mecânica:

  • Engrenagens Celestes: Aristóteles propôs um sistema complexo de 55 esferas concêntricas.
  • Transmissão de Movimento: A esfera mais externa (das estrelas fixas) girava e transmitia seu movimento para as esferas internas.
  • Contrarrotação: Para explicar as variações de velocidade e direção, ele adicionou esferas que giravam em sentidos opostos, funcionando como um sistema de roldanas que compensava os movimentos uns dos outros.

Tudo isso era movido pelo Primeiro Motor Imóvel, que fornecia a energia inicial para a esfera mais externa, mantendo o "relógio" cósmico funcionando eternamente.

 

 

O modelo heliocêntrico é a teoria astronômica que posiciona o Sol no centro do Universo (ou do Sistema Solar), com a Terra e os outros planetas girando ao seu redor. 

  • Etimologia: O nome vem do grego Helios (Sol) e kentron (centro).
  • Contraponto:  substituiu o modelo geocêntrico, que acreditava que a Terra era o centro de tudo.
  • Protagonistas: Embora o grego Aristarco de Samos tenha sugerido a ideia na Antiguidade, foi Nicolau Copérnico quem a desenvolveu matematicamente no século XVI. Mais tarde, Galileu Galilei e Johannes Kepler comprovaram e refinaram a teoria.
  • Consequência: Essa mudança de perspectiva foi fundamental para a Revolução Científica, alterando para sempre a forma como entendemos o nosso lugar no cosmos.

Aprofundando:

  1. As Fases de Vênus: Galileu viu que Vênus passa por fases completas (como a Lua). Isso só seria possível se o planeta estivesse orbitando o Sol, e não a Terra.
  2. As Luas de Júpiter: Ele descobriu quatro corpos orbitando Júpiter. Isso provou que nem tudo no universo gira em torno da Terra, quebrando um dogma central da época.
  3. Manchas Solares: Ao observar o Sol, ele percebeu que o astro-rei girava em torno do seu próprio eixo e não era uma "esfera perfeita", reforçando que os céus eram dinâmicos e mutáveis.

Essas evidências mostraram que o modelo de Copérnico não era apenas uma teoria matemática, mas a realidade física.

 


As principais diferençasentre os dois sistemas astronomicos giram em torno de quem ocupa o "trono" do sistema e como os astros se movem. Aqui estão os pontos centrais:

  • O Centro: No Geocentrismo (Ptolemeu), a Terra é o centro imóvel. No Heliocentrismo (Copérnico), o Sol assume o centro, e a Terra passa a ser apenas mais um planeta orbitando ao redor dele.
  • Movimento da Terra: Para os geocentristas, a Terra não se movia. Para Copérnico, a Terra possui dois movimentos principais: a rotação (gira sobre si mesma, gerando dia e noite) e a translação (gira em torno do Sol, gerando as estações).
  • Complexidade das Órbitas: Para explicar por que alguns planetas pareciam "andar para trás" no céu (movimento retrógrado), o modelo geocêntrico criava círculos complexos chamados epiciclos. Copérnico simplificou isso, mostrando que esse efeito é apenas uma questão de perspectiva, já que a Terra ultrapassa outros planetas em sua órbita.
  • As Estrelas: No modelo antigo, as estrelas estavam fixas em uma "esfera" próxima. No heliocêntrico, percebeu-se que elas estão vastamente mais longe do que o Sol.

 

A reação da Igreja Católica ao heliocentrismo não foi uniforme e mudou drasticamente ao longo do tempo, passando da curiosidade inicial à censura severa e, finalmente, ao perdão histórico.

  • Aceitação Inicial (Nicolau Copérnico): Quando Copérnico publicou sua obra em 1543, a Igreja não a proibiu de imediato. O livro foi inclusive dedicado ao Papa Paulo III. Naquela época, a teoria era vista apenas como uma hipótese matemática útil para cálculos astronômicos e calendários.
  • O Conflito Teológico: A resistência cresceu porque o modelo geocêntrico estava profundamente ligado à interpretação literal da Bíblia. Passagens como a do livro de Josué, onde Deus faz o "Sol parar" no céu, eram usadas como prova de que o Sol se movia e a Terra era fixa.
  • A Condenação de Galileu Galilei: O clima mudou no século XVII. Em 1616, o heliocentrismo foi declarado "falso e contrário às Escrituras", e a obra de Copérnico entrou para o Index (lista de livros proibidos). Em 1633, Galileu foi julgado pela Inquisição por defender o heliocentrismo como uma verdade física e não apenas uma hipótese. Ele foi forçado a negar suas ideias e passou o resto da vida em prisão domiciliar.
  • Giordano Bruno: Diferente de Galileu, o filósofo Giordano Bruno foi queimado na fogueira em 1600. Embora defendesse o heliocentrismo, sua condenação deveu-se principalmente a outras heresias teológicas, como a ideia de que o universo era infinito e continha muitos mundos.
  • Retratação Histórica: A Igreja só retirou os livros heliocêntricos do Index em 1758. Séculos depois, em 1992, o Papa João Paulo II reconheceu oficialmente o erro da Igreja no caso Galileu, admitindo que houve uma interpretação equivocada das escrituras.

 

PRIMEIRA PROVA DE FENOMENOLOGIA E HERMENEUTICA: sexta-feira 27 março 2026

 



FACULDADE CATÓLICA DO AMAZONAS


 

 

Professor: Paolo Cugini

Durante a prova na mesa do estudante deve ficar somente a folha com o carimbo da Faculdade e a caneta.

Desenvolver uma redação (pelo menos duas páginas) sobre um dos seguintes temas:

 

1.      De volta às coisas mesmas!". Este é o "grito de guerra" da fenomenologia. Husserl propõe que a filosofia deve abandonar teorias abstratas e preconceitos para descrever os fenômenos exatamente como eles aparecem na consciência. Aprofundar o assunto.

 

2.      "Não é da filosofia que deve partir o impulso da investigação, mas sim das coisas e dos problemas."
Husserl sustenta que o conhecimento deve ser construído a partir da experiência direta e da análise rigorosa dos fenômenos, em vez de deduções puramente teóricas. Aprofundar o assunto.

 

 

3.      A soberana Realidade não é um mundo bem ordenado, dócil as leis da Natureza e que se dispõe de si mesmo abaixo das hipóteses dos físicos, mas uma criação de inquietude desobediente (Charles Péguy). Somente permanecendo no tempo presente podemos entender que a realidade não é uniforme, mas sim, multiforme. Refletir sobre este tema.

 

4.      Max Scheler centra sua atenção nos objetos pré-cientícos do mundo antropológico e na possibilidade de descrição de vivências subjetivas da consciência, abrindo espaço para os valores, os afetos e os fatos culturais que foram desconsiderados pelas ciências positivas emergentes de sua época. Refletir sobre este tema.

 

 

5.      Eu não existo porque penso, mas porque alguém me chama ou alguém me ama (Jean Luc Marion). A partir desta frase faça uma explanação da fenomenologia de Jean Luc Marion, refletindo sobre o fenômeno saturado e da crítica a metafisica.

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 22 de março de 2026

PRIMEIRA PROVA DE FILOSOFIA POLÍTICA : Quinta feira 26 março 2026

 



FACULDADE CATÓLICA DO AMAZONAS


 

 

Professor: Paolo Cugini

Durante a prova na mesa do estudante deve ficar somente a folha com o carimbo da fasculdade e a caneta.

Desenvolver uma redação (pelo menos duas páginas) sobre um dos seguintes temas:

 

1.      Conforme a reflexão que realizamos na sala é possível uma filosofia política cristã baseada no Evangelho? Quais seriam as características desta política?

 

2.      A Carta a Diogneto manifesta um novo estilo de viver a cidade e as leis do Império por parte dos cristãos. De que maneira mudou o estilo político dos cristãos durante a época medieval e qual foi o papel do papado?

 

3.      As mudanças religiosas, políticas e sociais da época Moderna provocaram a reflexão política de grandes pensadores como Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacque Rousseau. A ideia de que a sociedade e o Estado nascem de um "contrato" ou pacto entre os indivíduos. 

a.       Thomas Hobbes (Leviatã): O homem no estado de natureza vive em guerra; para ter segurança, cede todos os seus direitos a um soberano absoluto.

b.      John Locke (Segundo Tratado sobre o Governo Civil): O contrato serve para proteger direitos naturais pré-existentes (vida, liberdade e propriedade privada). É o pai do liberalismo.

c.       Jean-Jacques Rousseau (O Contrato Social): O foco é a vontade geral. O povo é o soberano e o contrato deve buscar o bem comum, criticando a desigualdade gerada pela propriedade. 

Qual destes autores te chamou mais atenção.

 

4.      No realismo político de Nicolau Maquiavel a política deixa de ser vista pelo prisma da moral cristã para ser analisada como ela é de fato. A separação entre moral e política: o governante deve focar na manutenção do poder e na estabilidade do Estado (virtù e fortuna). Concorda com a visão política de Maquiavel?

5.       

sexta-feira, 20 de março de 2026

O pensamento fenomenológico de Jean Luc Marion

 




TANTA DOAÇÃO TANTA PRESENÇA


 

Jean-Luc Marion é um dos nomes mais influentes da fenomenologia contemporânea, conhecido por levar o método fenomenológico ao seu limite. Embora você não tenha especificado um tema exato dentro da vasta obra dele, o pilar central de seu pensamento é a Fenomenologia da Doação e o conceito de Fenômeno Saturado.

A fenomenologia clássica, iniciada por Husserl, estabeleceu que toda consciência é consciência de algo. No entanto, Jean-Luc Marion propõe uma "redução" ainda mais radical: antes de ser percebido por um sujeito, o fenômeno se . Para Marion, o ser não precede a doação; é a doação que define o que aparece.

1. "Tanta doação, quanto presença"

Marion inverte a lógica tradicional onde o sujeito (o "Eu") dita as regras do que pode ou não ser real. Em sua obra fundamental, Sendo Dado, ele afirma:

"O fenômeno se dá na medida em que ele se mostra. E ele se mostra na medida em que se dá." (Étant donné, 1997)

Isso significa que o fenômeno não é um objeto passivo esperando para ser estudado, mas um acontecimento que toma a iniciativa.

2. O Fenômeno Saturado: Quando a intuição transborda

O conceito mais famoso de Marion é o fenômeno saturado. Diferente de um objeto técnico ou matemático (onde nossa mente entende tudo perfeitamente), o fenômeno saturado é aquele que possui um excesso de intuição que a nossa capacidade de compreensão não consegue organizar ou "conter".

Exemplos disso são o acontecimento (histórico), o ídolo (a obra de arte), a carne (o sentir-se a si mesmo) e o ícone (o rosto do outro). Neles, o sujeito não domina o objeto; ele é, na verdade, impactado por ele.

Sobre esse excesso, Marion escreve em O Visível e o Revelado:

"O fenômeno saturado descreve a situação em que a visão do sujeito é submergida pela clareza excessiva do que se apresenta."

3. Do Sujeito ao "Adonado" (L'adonné)

Nessa filosofia, o "Eu" deixa de ser o mestre do conhecimento e passa a ser o Adonado. O Adonado é aquele que recebe a doação. Não sou eu quem dou sentido ao mundo; o mundo se dá a mim, e eu sou constituído por aquilo que recebo.

Para Jean-Luc Marion, a carne (la chair) não é o corpo biológico (o Körper da anatomia), mas sim o lugar onde a vida é sentida "por dentro". No seu pensamento, a carne é o fenômeno saturado por excelência: ela é o que me permite sentir o mundo porque, antes de tudo, ela se sente a si mesma.

A Carne como Autoafecção: Sentir-se Antes de Sentir o Mundo

Enquanto o corpo pode ser visto, tocado e medido como um objeto externo, a carne é a dimensão do sentir que não guarda distância de si mesma. Marion radicaliza a distinção de Husserl entre o corpo-objeto e o corpo-vivo para mostrar que a carne é o fundamento da nossa subjetividade.

1. A Carne que se Sente a Si Mesma

Diferente de um objeto (como uma pedra ou uma mesa) que toca outro objeto sem sentir nada, a carne humana tem a propriedade única da autoafecção. Em sua obra Sendo Dado, Marion explica:

"A carne não se define por sua extensão no espaço, mas por sua capacidade de se sentir a si mesma, de se afetar a si mesma sem distância nem mediação." (Étant donné, 1997)

Se você pressiona uma mão contra a outra, você não sente apenas um objeto "mão"; você sente o sentir da pressão. Essa coincidência absoluta é onde nasce o "Eu".

2. O Sofrimento e o Prazer como Provas da Carne

Para Marion, a carne é "saturada" porque nela a intuição transborda qualquer conceito. O sofrimento e o prazer são os exemplos máximos disso: você não "pensa" a dor, você a padece. A carne é o que nos torna passivos diante da vida; somos "recebedores" de sensações que não podemos controlar.

Em O Fenômeno Erótico, Marion aprofunda essa ideia ao descrever como a carne é o que nos permite o encontro com o outro:

"Minha carne me entrega a mim mesmo no exato momento em que ela me entrega ao mundo... Só uma carne pode tocar outra carne." (Le Phénomène érotique, 2003)

3. A Carne como "Lugar" da Doação

Diferente do pensamento de Descartes, onde o "Eu" é uma coisa que pensa (abstrata), para Marion o "Eu" é o Adonado (l'adonné) que recebe a si mesmo através da carne. Eu só sei que existo porque minha carne me dói, me agrada ou me cansa. Ela é o ponto de impacto onde a vida "se dá".

quinta-feira, 12 de março de 2026

Da saída do feudalismo ao nascimento do Estado Moderno na Europa

 




 

O feudalismo foi o sistema que organizou a Europa durante a Idade Média. Ele era baseado em quatro pilares principais: 

  1. Descentralização Política: O poder não estava concentrado em um rei, mas dividido entre os senhores feudais, que mandavam em suas próprias terras.
  2. Economia agrária e de subsistência: A base de tudo era a agricultura. Produzia-se para o consumo interno e o uso de moedas era raro; o comércio era feito principalmente por trocas (escambo).
  3. Sociedade estamental: A posição social era definida pelo nascimento e quase não havia mobilidade. A pirâmide era dividida entre o clero (quem orava), a nobreza (quem guerreava) e os servos (quem trabalhava).
  4. Relações de suserania e vassalagem: Nobres faziam pactos de fidelidade entre si. O suserano doava uma terra (feudo) ao vassalo, que em troca prometia apoio militar e proteção

 

O nascimento do Estado Moderno foi um processo de centralização do poder político, que ocorreu entre os séculos XIV e XVIII, pondo fim à fragmentação característica do sistema feudal. 

 

Contexto de Surgimento

A formação dos Estados Nacionais foi impulsionada pela crise do feudalismo, que enfrentava revoltas camponesas, fomes e pestes. Nesse cenário, o rei tornou-se a figura central capaz de manter a ordem e garantir a segurança, unindo forças com diferentes classes sociais: 

  • Apoio da Burguesia: Os comerciantes financiavam o rei em troca de leis unificadas, moedas padronizadas e proteção às rotas comerciais.
  • Apoio da Nobreza: Os nobres cediam seu poder militar e político ao monarca para que este contivesse as revoltas camponesas, mantendo seus privilégios sociais e cargos na burocracia estatal. 

 A principal diferença entre a nobreza e a burguesia reside na origem do seu poder e status. Enquanto a nobreza baseava-se no nascimento, títulos e posse de terras, a burguesia fundamentava-se no acúmulo de capital e no sucesso comercial. 

Aqui estão as distinções fundamentais entre os dois grupos:

  • Origem do Status:
    • Nobreza: O status era hereditário, transmitido pelo sangue e linhagem familiar. Os nobres pertenciam a famílias tradicionais e possuíam títulos formais como duque, marquês ou conde.
    • Burguesia: O status era conquistado através da atividade econômica. Surgiu nos "burgos" (cidades medievais) a partir de mercadores, artesãos e banqueiros que enriqueceram com o comércio.
  • Relação com o Trabalho:
    • Nobreza: Tradicionalmente, os nobres não deviam realizar trabalhos manuais ou atividades mercantis, pois isso era visto como algo inferior, destinado à plebe. Sua função era ligada ao mando, proteção militar e administração de terras.
    • Burguesia: Sua existência era definida pelo trabalho e pela circulação de mercadorias e capital. Eram a classe produtiva que impulsionou o capitalismo.
  • Base Econômica:
    • Nobreza: O poder vinha da terra (feudos) e da exploração do trabalho camponês sob o regime de servidão.
    • Burguesia: O poder vinha do dinheiro, dos lucros comerciais, das manufaturas e, posteriormente, das indústrias.
  • Papel Político no Antigo Regime:
    • Nobreza: Possuía privilégios jurídicos e fiscais, como a isenção de impostos, e ocupava cargos burocráticos e militares de alto escalão.
    • Burguesia: Apesar de rica, inicialmente não tinha poder político nem privilégios, sendo obrigada a pagar altos impostos. Isso levou a burguesia a financiar reis para unificar Estados e, mais tarde, a liderar revoluções (como a Francesa) para derrubar o poder absolutista da nobreza.

Principais Características

O Estado Moderno consolidou-se através de elementos que definem as nações até hoje: 

  • Poder Centralizado (Absolutismo): O rei detinha o controle total sobre a administração e as leis.
  • Delimitação de Fronteiras: Estabelecimento de limites territoriais claros onde a autoridade do rei era soberana.
  • Exército Permanente: Criação de forças militares profissionais leais ao monarca, em vez de depender dos senhores feudais.
  • Burocracia Estatal: Um corpo de funcionários encarregado de arrecadar impostos e aplicar a justiça em todo o território.
  • Unificação Econômica: Padronização de pesos, medidas e moedas para facilitar o comércio e o mercantilismo. 

 

Exemplos Pioneiros

A formação não ocorreu de forma simultânea em todo o continente: 

  • Portugal: Foi o primeiro Estado Nacional moderno (século XII), unificado precocemente durante a guerra da reconquista.
  • Espanha: Consolidou-se com a união dos reinos de Castela e Aragão e a expulsão definitiva dos mouros.
  • França e Inglaterra: Suas unificações foram marcadas por conflitos longos, como a Guerra dos Cem Anos, que ajudou a forjar identidades nacionais.

 



César Bórgia (1475–1507)

foi uma das figuras mais influentes e temidas da Itália renascentista. Filho ilegítimo de Rodrigo Bórgia (o Papa Alexandre VI) com sua amante Vannozza dei Cattanei, ele personificou a busca implacável pelo poder por meio da força e da astúcia. 

  • Ascensão Eclesiástica e Militar: Inicialmente destinado à Igreja, tornou-se cardeal aos 18 anos. No entanto, após a morte de seu irmão Giovanni, ele foi o primeiro na história a renunciar ao cardinalato para seguir carreira militar, tornando-se capitão-geral dos exércitos papais.
  • O "Príncipe" de Maquiavel: César serviu como a principal inspiração para a obra O Principe de Nicolau Maquiavel. O autor o via como o modelo ideal de governante: alguém capaz de ser amado e temido, utilizando a "virtù" (coragem e habilidade) para unificar territórios.
  • Conquistas e Crueldade: Com o apoio financeiro e político de seu pai, conquistou a região da Romanha, eliminando rivais e nobres locais com eficiência brutal. Sua reputação era de um homem extremamente inteligente, atlético e implacável.
  • Queda e Morte: Sua sorte mudou com a morte de seu pai em 1503. Sem a proteção papal e enfrentando a inimizade do novo Papa Júlio II, ele perdeu suas terras, foi preso e acabou morrendo em combate na Espanha em 1507.

 

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

PRIMEIRA PROVA DE EPISTEMOLOGIA 2026

 




 

Desenvolver uma redação (pelo menos duas páginas) sobre um dos seguintes temas:

 

1.      "O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma 'história verdadeira', porque sempre se refere a realidades" (Mircea Eliade). "O mito é uma explanação que, quando se torna objeto de ciência, revela-se não apenas fonte de racionalidade, mas de sentido e compreensão" (Paul Ricoeur). É possível considerar a narração mítica uma forma de ciência? Desenvolver o tema do relacionamento entre mito e ciência.

 

 

2.      Aristóteles negava a existência do vácuo, afirmando que "a natureza abomina o vácuo", pois o movimento no vazio seria instantâneo e, portanto, impossível. Aristóteles representa uma maneira de fazer ciência utilizando a dedução. Somente na época moderna se passará ao método científico baseado na observação e na verificação das hipóteses.

 

3.      Os pitagóricos por primeiro aplicaram-se às matemáticas e fizeram-nas progredir, e, nutridos por elas, acreditaram que os princípios dela fossem os princípios de todos os seres. (Aristóteles, Metafisica). É com os pitagóricos que, segundo Giovanni Reale, percebe-se o avanço do logos, que sai do pensamento mítico e aborda a realidade de uma forma nova.

 

4.      Leucipo diz que tudo acontece conforme a necessidade e que esta corresponde ao fato. Diz, com efeito, no seu livro Sobre a Inteligência: “Nada se produz sem motivo, mas tudo com uma razão e necessariamente”. (Diels-Kranz, 67 B 2). O atomismo representa um avanço, mas não consegue dar conta da realidade incorpórea. Quais são as aporias do atomismo e que caminhos abertos?

PRIMEIRA PROVA FILOSOFIA ANTIGA 2026

 



 

Responder a cinco perguntas de forma analítica (não sintética):

 

1.      Porque é importante estudar filosofia no Brasil?

2.      Porque é importante estudar filosofia num curso de teologia?

3.      Por que a filosofia nasceu na Grécia e quais foram as condições pelo seu nascimento neste país?

4.      Descreve com tuas palavras passagem do mito ao logos e em que sentido o logos apresentou na história do pensamento Ocidental uma nova maneira de abordar a realidade.

5.        Tales, iniciador desse tipo de filosofia, diz que o princípio é a água (Aristóteles). Qual foi a grande novidade de Tales?

6.      Qual é o sentido da primeira pesquisa filosófica: buscava o que?

7.      Panta rei”: comente esta frase e faça uma explanação completa da filosofia de Heráclito.

8.      O ser é o não ser não é: qual é o sentido da proposta de Parmênides e quais são as qualidades do ser?

9.      Se múltiplas fossem as coisas deveria ser como o uno: o que Melisso de Samos quis dizer com esta frase? De que tipo de argumentação se trata?

10.  Como os atomistas Demócrito e Leucipo tentaram resolver as aporias abertas da da teoria da escola Eleata?

 

 

SISTEMA GEOCÊNTRICO E SISTEMA HELIOCÊNTRICO

    O  sistema geocêntrico   é uma antiga teoria astronômica que coloca a  Terra como o centro do universo .  Nesse modelo, acreditava-se qu...