quinta-feira, 4 de junho de 2026

IV PROVA FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA sexta-feira, 12 junho 2026

 




Debate na sala sobre os seguintes temas (para o bom exito de debate é importante que cada estudante prepare o assunto e até escreva no caderna o tema que quer aprofundar no debate):

1.      Da hermenêutica de Spinoza a Schleiermacher

2.      A hermenêutica bíblica e o debate do livro da Bíblia na história da Igreja Católica

3.      As propostas hermenêuticas de Gadamer e Heidegger 

IV PROVA FILOSOFIA POLÍTICA quinta-feira, 11 junho 2026

 




Debate na sala sobre os seguintes temas (para o bom exito de debate é importante que cada estudante prepare o assunto e até escreva no caderna o tema que quer aprofundar no debate):

1.      Os sistemas políticos do século XIX: liberismo, marxismo, anarquismo.

2.      Igreja e comunismo

3.      A análise de Max Weber e as consequências

4.      Hanna Arendt e a reflexão sobre o totalitarismo. A volta dos totalitarismos nos movimentos de extrema-direita.

IV PROVA FILOSOFIA ANTIGA terça-feira, 9 junho 2026

 




Debate na sala sobre os seguintes temas(para o bom exito de debate é importante que cada estudante prepare o assunto e até escreva no caderna o tema que quer aprofundar no debate) :

1.      Elementos específicos e diferenças entre os sistemas metafísicos platônico, aristotélico e médio-platônico.

2.      Características da hera helenística

3.      Filo de Alexandria e a diferença entre alegorese e tipologia 

IV PROVA EPISTEMOLOGIA Segunda feria, 8 junho 2026

 




Debate na sala sobre os seguintes temas(para o bom exito de debate é importante que cada estudante prepare o assunto e até escreva no caderna o tema que quer aprofundar no debate) :

1.      O debate que marcou a passagem do geocentrismo para o heliocentrismo. A tese de Thomas Kuhn sobre a mudança de paradigma que demorou mais de um século.

2.      O debate da epistemologia contemporânea sobre a verdade da ciência: Feyerabend, Popper, Lakatos, Bachelard.

3.      A epistemologia em teologia de Bernard Lonergan.

4.      Que tipo de teologia pode ser auxiliada pela epistemologia contemporânea. 

sábado, 23 de maio de 2026

XI Coloquio latinoamericano de Fenomenología // Octubre 2026

 



Link a página web del evento: https://www.clafen.org/xi-coloquio-latinoamericano-de-fenomenologia/

El Círculo latinoamericano de fenomenología convoca al XI Coloquio Latinoamericano de Fenomenología: “Naturaleza y espíritu” a realizarse en Lima, Perú.

Organiza: PUCP, UNMSM

Conferencias magistrales: Renaud Barbaras, Demot Moran, Roberto Walton

Lineamientos para presentación de propuestas:

·         Formatos de presentación: ponencia individual, mesa temática, presentación de libro o revista

·         Las propuestas deberán enviarse a xiclafen@pucp.edu.pe e incluir:

·         Título + Resumen (máx. 500 palabras) + 5 Palabras clave

·         Un documento aparte con información del/de los autor/es (máx. 200 palabras)

·         Para mesas temáticas, solo un integrante envía la propuesta (Título + Resumen + Palabras clave + información de cada autor + título general de la mesa temática)

Fecha límite de envío: 15 de mayo de 2026 Notificación de aceptación: 15 de junio de 2026

Más información: xiclafen@pucp.edu.pe

sexta-feira, 22 de maio de 2026

II ATELIÊ PAUL RICOEUR: CAMPO GRANDE (MS) 2026

 




 

 

De 19 a 2 2 de maio 2026 em Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso do Sul, aconteceu o II Ateliê Ricoeur na América Latina organizado pela Rede Brasil-Ricoeur. O ateliê, que viu a participação dos maiores estudiosos latino-americanos do filosofo francês Paul Ricoeur (1913-2005), teve como objetivo aprofundar a interpretação ricoeuriana sobre Sigmund Freud, sobretudo aprofundando o texto de Ricoeur: Da interpretação: ensaio sobre Freud, publicado no 1965.

Aqui em seguida uma breve síntese do conteúdo que saiu nestes dias, destacando aquilo que mais me chamou atenção.

 

Introdução

Para Paul Ricoeur, Sigmund Freud não criou apenas uma psicologia clínica, mas sim uma revolução filosófica que abalou a forma como o ser humano compreende a si mesmo. Em sua obra seminal de 1965, Da Interpretação: ensaio sobre Freud (publicada em francês como: De l'interprétation. essai sur Freud), Ricoeur insere a psicanálise no campo da hermenêutica a teoria da interpretação de textos e símbolos.

No cenário filosófico do século XX, Paul Ricoeur propôs uma virada metodológica ao aproximar a psicanálise da filosofia da linguagem. Em vez de tratar o inconsciente como uma realidade puramente biológica, Ricoeur o define como um texto que precisa ser decifrado. Ele posiciona Freud ao lado de Karl Marx e Friedrich Nietzsche como um dos "mestres da suspeita", pensadores que desmascararam a falsa clareza da consciência humana.



1. A Escola da suspeita e o descentralramento do sujeito

Ricoeur argumenta que Freud destrói a ilusão cartesiana de que a consciência é transparente para si mesma. O cogito ("penso, logo existo") dá lugar a um sujeito que desconhece suas próprias motivações básicas. "Três mestres dominam a escola da suspeita: Marx, Nietzsche e Freud. [...] Todos os três começam a partir da suspeita em relação às ilusões da consciência" (RICOEUR, 1965, p. 42).

Nessa perspectiva, o papel de Freud não é destruir o sujeito, mas purificá-lo de suas falsas certezas. A consciência deixa de ser uma origem dada e passa a ser uma tarefa a ser conquistada através da interpretação.

2. A Dupla dimensão de Freud: energética vs. hermenêutica

O cerne da tese de Ricoeur sobre Freud reside em uma tensão dialética essencial. Por um lado, Freud usa uma linguagem de forças físicas, fluidos e cargas (a "energética" ou economia da mente). Por outro lado, ele trabalha com o sentido, com relatos de sonhos, lapsos e símbolos (a "hermenêutica"). "O que o discurso freudiano apresenta é uma articulação constante da força e do sentido, da energética e da hermenêutica" (RICOEUR, 1965, p. 77).

Ricoeur demonstra que um desejo humano nunca se apresenta de forma pura; ele sempre se expressa mediado por uma linguagem simbólica. O sintoma neurótico ou o sonho são textos distorcidos que demandam tradução.



3. A Arqueologia e a teleologia do sujeito

Para Ricoeur, a interpretação freudiana é fundamentalmente uma "arqueologia". Ela escava o passado do indivíduo, buscando na infância e nas pulsões primitivas a causa das manifestações atuais. "A psicanálise se apresenta como uma arqueologia do sujeito; ela nos remete sempre ao arcaico, ao infantil, ao inconsciente como o fundamento esquecido" (RICOEUR, 1965, p. 441).

Contudo, Ricoeur complementa que uma hermenêutica puramente arqueológica seria redutiva. Ele propõe uma dialética com a "teleologia" (inspirada em Hegel), sugerindo que o ser humano não é apenas determinado pelo seu passado (arqueologia), mas também se move em direção a um sentido futuro, autoconsciente e espiritual (teleologia). O sujeito se descobre no movimento entre o que o determinou e o que ele projeta ser.

4. O Símbolo como expressão do desejo

Na leitura ricoeuriana, o analista e o paciente trabalham sobre o símbolo. O símbolo possui uma estrutura de duplo sentido: existe um significado literal (o manifesto) e um significado oculto (o latente). Freud é o mestre que ensina a decifrar essa linguagem cifrada do desejo.

"O símbolo é a estrutura de significação onde um sentido direto, primário, literal, designa além disso um outro sentido indireto, secundário, figurado, que só pode ser apreendido através do primeiro" (RICOEUR, 1965, p. 25).



Conclusão

Paul Ricoeur não aceitou a psicanálise como uma ciência natural exata, mas validou-a como uma rigorosa disciplina de interpretação do sentido humano. Ao ler Freud sob uma lente hermenêutica, Ricoeur salvou o pensamento freudiano do reducionismo materialista, transformando a psicanálise em uma via indispensável para a filosofia da existência e para o autoconhecimento.

 

Referências Bibliográficas 

RICOEUR, Paul. De l'interprétation. Essai sur Freud. Paris: Éditions du Seuil, 1965.

RICOEUR, Paul. Da Interpretação: Ensaio sobre Freud. 

 


quarta-feira, 20 de maio de 2026

PAUL RICOEUR E A REVISTA ESPRIT





Paolo Cugini

 

Os contatos e relações entre o filósofo francês Paul Ricoeur e a revista Esprit foram profundos, contínuos e estruturais, estendendo-se por mais de cinquenta anos. A Esprit, fundada em 1932 por Emmanuel Mounier como órgão do movimento personalista, representou para Ricoeur não apenas uma plataforma editorial, mas um verdadeiro laboratório intelectual e político.

 

1. Amizade com Mounier e adesão ao personalismo

Na década de 1930, Ricoeur desenvolveu um contato próximo com o catolicismo social francês e o núcleo original da Esprit. Ele desenvolveu uma profunda amizade e harmonia intelectual com o fundador Emmanuel Mounier. Embora Ricoeur fosse protestante, ele compartilhava a ideia de superar tanto o individualismo liberal quanto o coletivismo marxista através da centralidade da "pessoa".

2. Ingresso no Conselho Editorial (1948)

Em 1948, após retornar da prisão na Alemanha e iniciar sua carreira acadêmica em Estrasburgo, Ricoeur ingressou oficialmente no conselho editorial da Esprit. A partir desse momento, ele se tornou uma das figuras-chave da revista, moldando seus debates filosóficos e posicionamentos cívicos.

3. Repensando a "Pessoa" (1953)

Após a morte prematura de Mounier em 1950, Ricœur assumiu a tarefa de levar o legado da revista para a segunda metade do século XX. Em 1953, ele publicou um artigo famoso e seminal na Esprit intitulado "O Personalismo Morre, a Pessoa Retorna". Neste ensaio, ele propôs abandonar o personalismo como um sistema ideológico rígido (um "-ismo"), preferindo manter a ideia de "pessoa" como uma noção aberta e ética, projetada para os desafios futuros.

4. Compromisso político e anticolonialismo

Através das páginas da revista, Ricœur manteve um constante engajamento cívico de esquerda, abordando as questões mais prementes da história francesa:

• Guerra da Argélia: Ricœur e a equipe editorial da Esprit apoiaram abertamente a descolonização e o anticolonialismo, denunciando a tortura e as tendências nacionalistas.

 

• Crítica ao Totalitarismo: A revista tornou-se um espaço de firme oposição aos regimes soviéticos na Europa Oriental.

 

• Maio de 68: Ricœur vivenciou a crise de 68 em primeira mão (tornando-se posteriormente reitor de Nanterre), e a revista ofereceu amplo espaço para a análise crítica dessas convulsões sociais.

 

5. Diálogo com o estruturalismo (1963)

A Esprit também provocou debates filosóficos históricos. Em novembro de 1963, a revista publicou uma célebre edição especial dedicada ao estruturalismo, que apresentou uma memorável entrevista-confronto entre Paul Ricœur e o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Nessa edição, Ricœur discutiu os limites do modelo estrutural, lançando as bases para sua posterior virada hermenêutica.

6. Últimos anos e redescoberta

Mesmo em idade avançada, Ricœur permaneceu um ponto de referência para a Esprit (então dirigida por Olivier Mongin). Foi precisamente nesse contexto editorial que, no final da década de 1990, um jovem Emmanuel Macron trabalhou como assistente editorial de Ricœur na obra Memória, História e Esquecimento, antes de ingressar no conselho editorial da revista.

No total, Ricœur escreveu 95 artigos para o periódico francês, e a Revue Esprit continuou a dedicar-lhe importantes edições monográficas tanto durante a sua vida como após a sua morte em 2005 (como o dossiê de 2024 dedicado aos poderes da imaginação).

IV PROVA FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA sexta-feira, 12 junho 2026

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