quarta-feira, 11 de março de 2026

PRIMEIRA PROVA DE EPISTEMOLOGIA 2026

 




 

Desenvolver uma redação (pelo menos duas páginas) sobre um dos seguintes temas:

 

1.      "O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma 'história verdadeira', porque sempre se refere a realidades" (Mircea Eliade). "O mito é uma explanação que, quando se torna objeto de ciência, revela-se não apenas fonte de racionalidade, mas de sentido e compreensão" (Paul Ricoeur). É possível considerar a narração mítica uma forma de ciência? Desenvolver o tema do relacionamento entre mito e ciência.

 

 

2.      Aristóteles negava a existência do vácuo, afirmando que "a natureza abomina o vácuo", pois o movimento no vazio seria instantâneo e, portanto, impossível. Aristóteles representa uma maneira de fazer ciência utilizando a dedução. Somente na época moderna se passará ao método científico baseado na observação e na verificação das hipóteses.

 

3.      Os pitagóricos por primeiro aplicaram-se às matemáticas e fizeram-nas progredir, e, nutridos por elas, acreditaram que os princípios dela fossem os princípios de todos os seres. (Aristóteles, Metafisica). É com os pitagóricos que, segundo Giovanni Reale, percebe-se o avanço do logos, que sai do pensamento mítico e aborda a realidade de uma forma nova.

 

4.      Leucipo diz que tudo acontece conforme a necessidade e que esta corresponde ao fato. Diz, com efeito, no seu livro Sobre a Inteligência: “Nada se produz sem motivo, mas tudo com uma razão e necessariamente”. (Diels-Kranz, 67 B 2). O atomismo representa um avanço, mas não consegue dar conta da realidade incorpórea. Quais são as aporias do atomismo e que caminhos abertos?

PRIMEIRA PROVA FILOSOFIA ANTIGA 2026

 



 

Responder a cinco perguntas de forma analítica (não sintética):

 

1.      Porque é importante estudar filosofia no Brasil?

2.      Porque é importante estudar filosofia num curso de teologia?

3.      Por que a filosofia nasceu na Grécia e quais foram as condições pelo seu nascimento neste país?

4.      Descreve com tuas palavras passagem do mito ao logos e em que sentido o logos apresentou na história do pensamento Ocidental uma nova maneira de abordar a realidade.

5.        Tales, iniciador desse tipo de filosofia, diz que o princípio é a água (Aristóteles). Qual foi a grande novidade de Tales?

6.      Qual é o sentido da primeira pesquisa filosófica: buscava o que?

7.      Panta rei”: comente esta frase e faça uma explanação completa da filosofia de Heráclito.

8.      O ser é o não ser não é: qual é o sentido da proposta de Parmênides e quais são as qualidades do ser?

9.      Se múltiplas fossem as coisas deveria ser como o uno: o que Melisso de Samos quis dizer com esta frase? De que tipo de argumentação se trata?

10.  Como os atomistas Demócrito e Leucipo tentaram resolver as aporias abertas da da teoria da escola Eleata?

 

 

terça-feira, 10 de março de 2026

EMPÉDOCLES (Antologia)

 



 

[Material elaborado por Paolo Cugini]

Fragmento 11 e 12:

     Crianças! breve vôo têm os seus pensamentos, estes que crêem que possa nascer o que antes não era, ou que alguma coisa pereça e se destrua totalmente. Pois não é possível que algo surja do que antes não era e que pereça o que é, é coisa vã e sem qualquer sentido; de fato (o ser) sempre será, onde quer que se o deva parar.

Fragmento 8:

     Outra coisa direi: não há nascimento de qualquer das coisas mortais, nem termo de morte funesta; mas só misturar-se e dissolver-se de substâncias mistas existe e entre os homens chama-se nascimento.

     Saiba, pois primeiramente que quatro são as raízes de todas as coisas, Zeus candente, Hera vivificadora e Aidoneus e Nestis que de suas lágrimas destila a fonte mortal.

 Fragmento 21:

     Mas, eis, discerne a prova das palavras que já te disse, se é que antes disse havia alguma falta na forma dos elementos; volta, pois, o olhar para o sol quente de se ver e luminoso em toda parte, e quantas são essências ambrosias e se banham de ardor e de chama [candente, e a chuva, em toda parte friorenta e nebulosa, e da terra brota tudo o que é sólido e compacto.

     Estas coisas [os elementos e as duas forças] todas são iguais e igualmente primevas, mas cada uma rege a própria honra e cada um tem o seu caráter, e a seu turno predominam no decorrer do tempo, e além delas não se acrescenta ou deixa de existir [alguma coisa] porque se destruíssem totalmente já não seriam, e o que poderia aumentar esse todo, e de onde viria? E onde se destruiriam, pois não há nada ausente delas. São, pois, estas que são, e passando umas através das outras, tornam-se ora estas, ora aquelas coisas sempre eternamente iguais.

Fragmento 26:

      Em turnos prevalecem [amor e ódio] no recorrente ciclo, e entre si se fundem e se somam nas vicissitudes do destino. São, pois, estes que são [os elementos], e passando uns através dos outros tornam-se homens e outras estirpes ferinas, ora por amizade convergindo em unidade de harmonia, ora, ao invés, separadamente, cada um levado pela inimizade da contenda, até que depois de terem crescido na unidade do todo, de novo se abismam. Assim, como o Uno surge de muitas coisas e distinguindo-se o Uno, muitas coisas resultam, deste modo estas se tornam e não é estável a sua vida; e enquanto não cessam nunca de se transformar por isso são sempre imóveis no ciclo [do universo].

     Mas de todas as partes [era] igual e por todas infinita, Esfera redonda que goza da sua envolvente solidão.

     Mas, de seu dorso não irrompem duas ramificações, nem [possui] pés, nem ágeis joelhos, nem fecundas pudendas, mas esférico era e [de todo lado] igual a si mesmo.

Fragmento 109:

     Pois com terra vemos terra, com água vemos água, com éter o éter divino, e com fogo o fogo aniquilante com Amor o Amor, com contenda a dolorosa contenda.

Fragmento 105:

No fluxo do pulsante sangue nutre-se [o coração], onde maximamente está o que os mortais chamam de pensamento; pois o sangue que reflui em volta do coração é para os homens o [pensamento.

     Vaticínio do Fado, decreto antigo dos Numes, sempiterno, com amplos juramentos bem selado, que se alguém mancha os membros de sangue culpável, ou impiamente jura, seguindo [a contenda], (algum dos demônios que tiveram por sorte longa vida) vá errante longe dos bem-aventurados por três vezes dez mil estações, e renascendo no tempo em toda espécie de seres mortais, mude os dolorosos caminhos da vida. Porque a força do éter lança-os no mar, o mar sobre a terra cospe-os, a terra nos turbilhões do sol luminoso, que os lança nos vórtices do éter: um do outro os acolhe e todos o odeiam. Um destes agora sou eu, fugitivo dos deuses e errante, porque prestei fé à furiosa contenda... .

     Porque fui um tempo menino e menina, arbusto, passarinho e mundo peixe do mar... .

     De que honra e de quanta grandeza de felicidade, [aqui entre os mortais em encontro, banido do Olimpo!].

     E por fim vates se tornam poetas e médicos, e príncipes entre os homens gerados da terra, donde renascem como deuses em honra supremos.

     E estes terão vida bem aventurada:

     Entre os outros imortais têm comum morada e mesa, de dores humanas privados, incólumes, indestrutíveis.

Fragmento 21:

     [estes elementos] todos no ódio tornam-se diferentes de aspectos e separados; unem-se no mar e entre si se desejam, porque todos os seres que foram, são e serão, germinaram, e árvores e homens e mulheres, feras e pássaros e peixes que se criam n’água, e numes longevos em honra supremos: são estes [os elementos] que são, e passam uns através dos outros tornam-se de diferente aspecto: tanto quanto permita a mistura.

Fragmento 134:

     Não se adornam os seus membros com cabeça humana nem do dorso dois ramos irrompem, pés não têm, nem ágeis joelhos, nem pudendas peludas, mas só uma sagrada e inefável mente, que por todo o mundo se lança com velozes pensamentos.

     Sustentam que se deve negar validade às sensações e às representações, enquanto se deve ter confiança apenas na pura razão. Proposições deste teor foram sustentadas em época mais antiga por Xenófanes, Parmênides, Melisso e, mais recentemente, por Estílpone, pelos megáricos e seus seguidores. Conseqüentemente, estes afirmavam que o ser é uno, enquanto uma coisa não é idêntica com outra, e negavam de modo absoluto a geração, a corrupção e o movimento de qualquer coisa.

     [Euclides] eliminava as coisas contrárias ao Bem, sustentado que não são.

     Não admitia o argumento por analogia, sustentando que este se baseia sobre coisas semelhantes ou sobre dessemelhantes; e se baseia sobre coisas semelhantes, o argumento deve tratar de coisas semelhantes mais que das suas analogias; se baseia sobre coisas dessemelhantes, o paralelo é supérfluo.

     [Euclides] nas demonstrações não atacava as premissas, mas as conclusões.

     Euclides afirmou que uno é o bem, que é chamado com muitos nomes: ora sabedoria, ora Deus, ora mente, e assim por diante.

     E então, caríssimo, não devemos absolutamente nos preocupar com o que pensam os outros, mas só com o que diz aquele que entende das coisas justas e das injustas, e este é um só e é a própria verdade.

     Não me preocupo com estes tagarelas, nem com quaisquer outros, nem Fédon, quem quer que ele seja, nem com o belicoso Euclides, que inspirou aos megáricos o frenético amor pela controvérsia.

      

segunda-feira, 9 de março de 2026

OS NUMEROS E OS QUATRO ELEMENTOS NA FILOSOFIA PITAGORICA

 




 

 

Para os pitagóricos (e mais tarde para Platão, que expandiu essa ideia), o octaedro era associado ao ar devido à sua estrutura física e propriedades geométricas. 

A lógica era baseada na mobilidade e na sensação:

  1. Forma "intermediária": O octaedro tem mais faces e ângulos mais agudos que o cubo (terra), mas é menos "rolante" que o icosaedro (água). Isso refletia a natureza do ar: algo fluido, mas que ainda possui certa leveza e "finesse".
  2. Sutileza: As pontas do octaedro sugeriam uma facilidade de movimento e uma capacidade de "penetrar", condizente com a forma como sentimos o ar ou o vento.
  3. Equilíbrio: Por ser um dos cinco sólidos platônicos (poliedros regulares), ele representava a harmonia matemática que os pitagóricos acreditavam reger os elementos fundamentais do cosmos. 

Essencialmente, eles tentavam mapear a complexidade geométrica do sólido à densidade e comportamento do elemento na natureza.

 

A água era comparada ao icosaedro (o sólido de 20 faces triangulares) por dois motivos principais: 

  1. Fluidez e Mobilidade: O icosaedro é o sólido regular que mais se aproxima de uma esfera. Por ter tantas faces e ser quase "rolante", ele representava a capacidade da água de fluir e se adaptar a diferentes recipientes.
  2. Suavidade: Diferente do tetraedro (fogo), que é pontiagudo e "corta", o icosaedro é mais "rombo" e menos cortante, o que refletia a natureza menos agressiva e mais densa da água em comparação ao fogo ou ao ar.

Essa visão fazia parte da busca deles por uma explicação matemática para a constituição do universo: se a matemática era a base de tudo, os elementos fundamentais precisariam ter formas geométricas perfeitas

Fogo: O Tetraedro

O fogo era associado ao tetraedro (pirâmide de 4 faces triangulares): 

  • Forma Pontiaguda: Por ter o menor número de faces e ângulos muito agudos, o tetraedro é o mais "afiado" dos sólidos. Isso simbolizava o poder de penetração do fogo e sua natureza "cortante" ou dolorosa ao toque.
  • Mobilidade: Sendo o menor e mais leve dos poliedros, ele representa a rapidez e a leveza das chamas que sobem. 
  •  

Terra: O Hexaedro (Cubo)

A terra era associada ao hexaedro ou cubo (6 faces quadradas): 

  • Estabilidade: O cubo é o sólido mais estável e difícil de rolar devido às suas bases quadradas e largas. Isso reflete a solidez, a firmeza e a natureza imóvel do elemento terra.
  • Preenchimento de Espaço: Para os gregos, a forma cúbica permitia um empilhamento perfeito, o que explicava a densidade e a resistência dos materiais terrestres.

 

A FÍSICA DE ARISTÓTELES

 



 

 

Texto: Giovanni Reale

Síntese: Paolo Cugini

 

A segunda ciência teorética para Aristóteles é a física ou “filosofia segunda”, que tem por objetivo de pesquisa a realidade sensível, intrinsecamente caracterizada pelo movimento, assim como a metafísica tinha por objetivo a realidade supra-sensível, intrinsecamente caracterizada pela falta absoluta de movimento.

A distinção de uma problemática metafísica e de uma problemática física, depois das aquisições da “segunda navegação” platônica, impunha-se estruturalmente: se são dois os planos da realidade ou, para nos exprimir em termos mais aristotélicos, se existem dois gênero diferentes de substâncias estruturalmente distintos, o gênero supra-sensível e o gênero sensível, estão necessariamente diferentes, deverão ser as ciências que têm essas duas realidades por objeto de pesquisa. A distinção entre metafísica e física comportará a definitiva superação do horizonte da filosofia dos pré-socráticos e também uma radical mudança do antigo sentido de physis, que, em vez de significar a totalidade do ser, passará agora a significar o ser sensível, e, natureza quererá dizer, predominantemente, natureza sensível (mas um sensível no qual a forma permanece como princípio dominante). Comparada á física moderna, a de Aristóteles resulta, mais que uma ciência, uma ontologia ou metafísica do sensível.

Não é de admirar que se encontrem nos livros de Metafísica amplas considerações físicas (no sentido precisado) e, vice-versa, nos livros de Física abundantes considerações de caráter metafísico, pois os âmbitos das duas ciências são estruturalmente intercomunicastes: o supra-sensível é causa e razão do sensível, e no supra-sensível termina tanto a pesquisa metafísica como (embora em sentido diferente) a própria pesquisa física; e, além disso, também o método de estudo aplicado nas duas ciências é idêntico.

A mudança e o movimento

O movimento tornou-se problema filosófico só depois de ter sido negado como aparência ilusória pelos eleatas.

O movimento é um dado de fato originário, que não pode ser posto em dúvida. Mas como se justifica? Sabemos (pela metafísica) que o ser tem muitos significados e quem um grupo desses significados é dado pelo par ser como potência e ser como ato. Com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência pode ser dito não-ser, precisamente não-ser-em-ato; mas é claro que se trata de um não-ser-relativo, pois a potência é real, porque é real a capacidade e efetiva possibilidade de chegar ao ato. Ora, vindo ao ponto que nos interessa, o movimento ou mudança em geral é, precisamente, a passagem do ser em potência ao ser em ato. Portanto, o movimento não supõe absolutamente o não-ser parmenidiano, porque se desenvolve no álveo do ser e é passagem de ser (potencial) a ser (atual):

Restam as categorias 1) da substância, 2) da qualidade, 3) da quantidade, 4) do lugar, e é justamente segundo essas categorias que ocorre a mudança. A mudança segundo a substância é a geração e a corrupção; segundo a qualidade é a alteração; segundo a quantidade é o aumento e a diminuição, e, segundo o lugar é a translação. Mudança é termo genérico que corresponde a essas quatro formas, movimento, ao invés, é termo que designa as últimas três, particularmente, a última.

Em todas as suas formas, o devir supõe um substrato (que é o ser potencial), que passa de um oposto a outro: na primeira forma, de um contraditório a outro contraditório, e, nas outras três formas, de um contrário a outro contrário. A geração consiste na assunção da forma pela matéria, a corrupção em perder a forma; a alteração é uma mudança da qualidade, enquanto o aumento e a diminuição são uma passagem do pequeno ao grande e vice-versa; o movimento local é passagem de um ponto a outro. Só os sínolos de matéria e forma podem mudar, porque só a matéria implica potencialidade: a estrutura hilemórfica da realidade sensível, que implica necessariamente matéria e potencialidade é, pois, a raiz de todo movimento. 

Essas considerações remetem-nos ao problema das quatro causas, que já conhecemos. Matéria e forma são causas intrínsecas do devir. Causa externa é, ao invés, o agente ou causa eficiente: nenhuma mudança tem lugar sem essa causa, porque não pode haver passagem da potencia ao ato sem que haja um motor já em ato. Enfim, é preciso a causa final, que é o escopo e a razão do devir. A causa final indica, substancialmente, o sentido positivo de todo devir que, aos olhos de Aristóteles, é fundamentalmente um progredir para a forma e uma realização da forma. Longe de ser entrada no nada, o devir aparece a Aristóteles como a via que leva á plenitude do ser, isto é, a via que as coisas percorrem para atuar-se, para ser plenamente o que são, para realizar a sua essência ou forma (e, nesse sentido, compreende-se bem por que a physis aristotélica é, em ultima análise, essa forma).

O espaço e o vazio

Os conceitos de espaço, vazio e tempo ligam-se ao conceito de movimento. Os objetos não estão no não-ser, que não existe, mas estão em um onde, em um lugar.

Ademais, a experiência mostra que existe um “lugar natural” ao qual cada um dos elementos tende, quando não encontra obstáculo: fogo e ar tendem para cima, terra e água para baixo. O em cima e o embaixo não são algo relativo a nós, mas algo objetivo, são determinações naturais: 

O lugar, por uma parte, é aquele comum no qual estão todos os corpos, por outra, é aquele particular no qual imediatamente está um corpo [...] e se o lugar é aquilo é aquilo que imediatamente contém cada corpo, ele será, então, um certo limite [...].

O lugar é o limite do corpo continente, enquanto este é contíguo ao conteúdo. 

Aristóteles esclarece ainda que o lugar não deve ser confundido com o recipiente: o primeiro é imóvel, enquanto o segundo é móvel; o lugar é o recipiente imóvel, enquanto o recipiente é um lugar móvel: 

E dessa definição do lugar segue não é pensável um lugar fora do universo nem um lugar no qual esteja o universo:. Mas se prescindimos de todo o universo, não há qualquer coisa fora do todo, e por isso todas as coisas estão no céu: pois o céu, entende-se, é o todo!

E assim o movimento do céu como totalidade só será possível no sentido da circularidade sobre si mesmo, não havendo lugar para uma translação. Da definição de lugar segue também a impossibilidade do vazio. O vazio fora entendido como “lugar no qual não há nada” ou “lugar no qual não há nenhum corpo”.

O tempo 

Dado que o tempo implica ta estreitamente o movimento, pode ser considerado uma afecção ou propriedade dele. O movimento, que é sempre movimento através de um espaço contínuo, é, também ele, por conseqüência, contínuo ser o tempo, porque a quantidade de tempo transcorrida é sempre proporcional ao movimento. E no continuo distinguem-se o antes e o depois, que, conseqüentemente, têm um correlativo no movimento e, portanto, no tempo:

Tempo é a mediada do movimento segundo o antes e o depois. Ora, a percepção do antes e do depois, e, portanto, da medida do movimento, necessariamente supõe a alma. Se é verdade que, na natureza das coisas, só a alma ou o intelecto que está na alma têm a capacidade de numerar, torna-se impossível a existência do tempo sem a da alma.

Esse pensamento é fortemente antecipador da perspectiva agostostiniana e das concepções espiritualistas do tempo.

Aristóteles, posteriormente, esclareceu que, para medir o tempo necessita-se uma unidade de medida, assim como necessita-se uma unidade de medida para medir qualquer coisa. Esta deve ser buscada no movimento uniforme e perfeito; e dado que o movimento uniforme e perfeito só é o movimento circular, decorre, por conseqüência, que a unidade de medida é o movimento das esferas e dos corpos celestes. Deus e as inteligências motoras, assim como estão fora do espaço, enquanto imóveis, estão também fora do tempo.

O infinito

Aristóteles nega a existência de um infinito em ato. O infinito só existe como potência ou em potência. Infinito em potência é, por exemplo, o número, porque sempre é possível acrescentar a qualquer número um número ulterior. Infinito em potência é também o espaço, porque é divisível ao infinito, infinito potencial, enfim, é também o tempo, que não pode existir todo atualmente, mas transcorre e cresce sem fim.

E Aristóteles nem de longe entreviu a idéia de que o imaterial pudesse ser infinito, justamente porque ligava o infinito é categoria da quantidade, que só vale para o sensível.

A “quintessência” e a divisão do mundo sublunar e celeste

Aristóteles distinguiu a realidade sensível em duas esferas entre si nitidamente diferenciadas: de um lado, o mundo chamado sublunar e, de outro, o mundo supralunar ou celeste.

O mundo sublunar é caracterizado por todas as formas de mudança, entre as quais predominam a geração e a corrupção. Os céus, ao invés, são caracterizados só pelo movimento local e, precisamente, pelo movimento circular. Nas esferas celestes e nos astros, não pode haver geração nem corrupção, nem alteração, nem aumento, nem diminuição. A diferença entre o mundo supralunar, os quais, contudo, são igualmente sensíveis, esta na matéria da qual são constituídos:

E essa matéria, que é potência dos contrários, é dada pelos quatro elementos (terra, água, ar e fogo), considerados por Aristóteles, transformáveis um no outro, justamente para dar razão, da geração e da corrupção. Ao invés, a outra matéria, que só possui a potência de passar de um ponto a outro e, portanto, só é suscetível de receber o movimento local, é o éter, chamado assim porque ocorre sempre. Ele foi também denominado “quintessência”, porque se acrescentam ás quatro essências dos outros elementos. E enquanto o movimento característico dos quatro elementos é retilíneo, o movimento do éter é, ao invés, circular. O éter é ingênito, incorruptível, não sujeito a crescimento nem alteração, nem a qualquer outra afecção que implique essas mudanças e, por esse motivo, também são incorruptíveis os céus constituídos pelo éter.

A física aristotélica é, na verdade, uma metafísica do sensível e, portanto, não se admirará o leitor de que a Física seja repleta de considerações metafísica e, até mesmo, que culmine com a demonstração da existência de um primeiro Motor imóvel: convencido radicalmente de que “se não existisse o eterno, não existiria tampouco o devir”, o Estagirita coroou as suas pesquisas físicas demonstrando exatamente a existência desse princípio. Mais uma vez manifesta-se como absolutamente determinante o êxito da “segunda navegação” platônica.

O conceito aristotélico de alma

Os seres animados diferenciam-se dos seres inanimados porque possuem um princípio que lhes dá a vida, e esse princípio é a lama.

Para responder a esta pergunta, Aristóteles remete-se á sua concepção metafísica hilemórfica da realidade. Todas as coisas em geral são compostas de matéria e forma, sendo a matéria, potência, e a forma, enteléquia ou ato. Isso vale, naturalmente, também para os seres vivos. Ora, observa o Estagirita, os corpos vivos têm vida, mas não são vida e, portanto, são como o substrato material e potencial do qual a alma é forma e ato.

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

HENRI BERGSON (1859-1941)

 



 

Para Henri Bergson, a evolução criativa é o conceito que ele expressou em sua obra homônima de 1907 para explicar que a vida não é o resultado de mecanismos cegos ou de um plano pré-estabelecido, mas um processo de autocriação contínua.

Aqui estão os pontos-chave para compreendê-la:

O élan vital (impulso vital): É uma força espiritual e invisível que flui através da matéria, impulsionando-a a se organizar em formas cada vez mais complexas e imprevisíveis. É o "motor" da evolução.

Imprevisibilidade: Ao contrário do finalismo (que vê tudo como predeterminado) ou do mecanicismo (que vê tudo como causa e efeito), Bergson sustenta que a evolução é livre. Cada nova espécie ou forma de vida é uma invenção original, não dedutível do passado.

Matéria vs. Vida: A matéria é vista como uma força de resistência ou um "movimento descendente", enquanto o élan vital é um "movimento ascendente". A evolução é o resultado da colisão entre essas duas forças: a vida tentando abrir caminho através da inércia da matéria.

Duração real: A evolução não ocorre no tempo físico (uma sucessão de instantes), mas na duração, onde o passado é preservado e constantemente enriquecido no presente, criando um futuro sempre novo.

Em suma, para Bergson, a natureza é como um artista que cria sem um modelo fixo, tornando todo o universo um sistema dinâmico e aberto.

Para Bergson, a intuição não é um sentimento vago ou uma inspiração mística, mas o verdadeiro método da filosofia, em oposição à análise científica da inteligência.

Eis os pilares que a definem:

Simpatia intelectual: Bergson define a intuição como uma forma de "simpatia" através da qual a pessoa se transporta para dentro de um objeto para coincidir com sua essência única e inexprimível.

Conhecimento absoluto: Enquanto a inteligência observa as coisas de fora e as decompõe em símbolos (conceitos, palavras, números) para fins práticos e utilitários, a intuição apreende a realidade de dentro. A inteligência nos dá conhecimento relativo; a intuição nos dá conhecimento absoluto.

Compreensão da duração: A intuição é a ferramenta específica para perceber a duração real (o tempo experimentado como um fluxo contínuo). A inteligência "espacializa" o tempo, dividindo-o em instantes separados como fotogramas de um filme; a intuição, por outro lado, percebe o movimento indivisível da vida.

• Retorno ao Espírito: Se a inteligência se dirige à matéria para dominá-la, a intuição é um voltar-se da mente para si mesma. É o esforço de ir além das necessidades práticas para redescobrir a continuidade da consciência.

Em suma, a intuição é o órgão da metafísica: ela nos permite apreender a realidade em sua fluidez e devir, antes que o intelecto a rigidifique em padrões fixos.

 

Livros de Bergson

Essais sur les données immédiates de la conscience (1889)

Matière et mémoire (1896)

Le Rire (1899)

L'Évolution créatrice (1907)

L'Énergie spirituelle (1919)

Durée et simultanéité, à propos de la théorie d'Einstein (1922)

Les Deux Sources de la morale et de la religion (1932)

La Pensée et le mouvant (1934)

Mélanges (1972)

quinta-feira, 5 de março de 2026

A doutrina política da Igreja Católica

 





CURSO DE FILOSOFIA POLÍTICA



Síntese de Paolo Cugini

 

A doutrina política da Igreja Católica evoluiu da gestão direta do poder temporal para a formulação de uma Doutrina Social moderna.

Aqui estão os pilares e conceitos-chave desenvolvidos ao longo do tempo:

 

1.      Carta a Diogneto

2.      Pensamento Clássico e Medieval

Agostinho de Hipona (De Civitate Dei): Distingue entre a "Cidade de Deus" e a "Cidade dos Homens", estabelecendo que o Estado é necessário para a ordem, mas subordinado à moral cristã.

Tomás de Aquino: Introduz o conceito de Bem Comum. Ele argumenta que as leis humanas devem refletir a Lei Natural; se uma lei é injusta, não é uma lei verdadeira.

 

3.       Doutrina Social Moderna (desde 1891)

Começa com a encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, em resposta à Revolução Industrial, e baseia-se em quatro princípios:

a.       Dignidade da pessoa: O ser humano é o fim, não o meio, da economia ou da política.

b.      Subsidiariedade: O Estado não deve substituir as realidades locais ou familiares, mas sim ajudá-las a prosperar.

c.       Solidariedade: Responsabilidade para com os mais pobres e interdependência entre os povos.

d.      Destinação Universal dos Bens: A propriedade privada é um direito, mas tem uma "função social"; os recursos da Terra pertencem a todos.

 

3. Desenvolvimentos Contemporâneos

Democracia e Liberdade Religiosa: Com o Concílio Vaticano II (Dignitatis Humanae), a Igreja reconheceu plenamente a liberdade de consciência e o valor dos sistemas democráticos.

Ecologia Integral: O Papa Francisco (Laudato si') apresentou uma proposta política que vincula a justiça social à proteção ambiental, criticando o "paradigma tecnocrático".

Crítica aos Sistemas: Historicamente, a Igreja se opôs tanto ao comunismo ateu (por sua negação da transcendência e da liberdade) quanto ao capitalismo desenfreado (quando este atropela a dignidade do trabalhador).

 

 

 

 

O PODER TEMPORAL DA IGREJA CATÓLICA: 313. d.C. -1500

 

De 313 d.C. a 1500, a Igreja Católica transformou seu papel de uma comunidade religiosa tolerada em um poder político e territorial soberano, influenciando profundamente a estrutura da Europa medieval. Durante esse período, a Igreja Católica passou por uma profunda metamorfose: de uma comunidade espiritual perseguida à principal instituição política e territorial do Ocidente, culminando na figura do "Papa Rei" do Renascimento.

1. A Transição: De Culto ao Poder (313 - 754 d.C.)

313 d.C. - Édito de Milão: O imperador Constantino reconhece o cristianismo como uma religião legítima. A Igreja começa a receber restituições de propriedades e doações de terras, adotando a estrutura administrativa romana (dioceses e paróquias).

 

Papel Substituto: Com a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.), os bispos tornaram-se a única autoridade organizada nas cidades, assumindo funções de governo civil, defesa e assistência para preencher o vácuo de poder.

Doação de Sutri (728 d.C.): O rei lombardo Liutprando doou o castelo de Sutri ao Papa Gregório II. Este evento é considerado o nascimento formal dos Estados Papais.

2. A Era Carolíngia e o Sacro Império Romano (754 - 1000 d.C.)

Promessa de Quierzy (754 d.C.): Pepino, o Breve, prometeu entregar ao Papa os territórios tomados dos lombardos (Lácio, Romanha, Marcas), criando uma base territorial soberana.

Coroação de Carlos Magno (800 d.C.): O Papa Leão III coroa Carlos Magno como imperador, estabelecendo o papel do pontífice como fonte de legitimidade política imperial.

Privilegium Othonis (962 d.C.): Oto I da Saxônia estabelece o direito imperial de confirmar as eleições papais, submetendo temporariamente a Igreja ao controle germânico.

 

3. Teocracia e o Conflito Universal (1075 - 1303 d.C.)

Questão das Investiduras: Gregório VII emite o Dictatus Papae (1075), declarando que somente o Papa pode nomear bispos e depor imperadores. O conflito termina com a Concordata de Worms (1122), um acordo que distingue entre o poder espiritual e o poder temporal.

 Inocêncio III (1198-1216): O papado atinge o ápice do poder político, atuando como o árbitro supremo dos soberanos europeus através da "teoria das duas espadas" (a supremacia do poder espiritual sobre o poder político).

 

4. Crise, Cativeiro e o Renascimento (1303 - 1500 d.C.)

Bofetada de Anagni (também conhecida como o Atentado de Anagni) foi um episódio dramático ocorrido em 7 de setembro de 1303, que simbolizou o declínio do poder político universal do papado frente ao fortalecimento das monarquias nacionais, especificamente a França. 

O evento consistiu no seguinte:

  • O Conflito: O Papa Bonifácio VIII e o Rei Filipe IV da França (o Belo) estavam em um embate severo sobre a supremacia do poder papal versus o poder real e a cobrança de impostos sobre o clero.
  • O Atentado: Filipe IV enviou emissários, liderados por Guillaume de Nogaret e apoiados pela família nobre romana Colonna (inimiga do Papa), para capturar Bonifácio VIII em sua residência de verão em Anagni.
  • A "Bofetada": Durante a invasão, o Papa teria sido insultado e, segundo a lenda, esbofeteado por Sciarra Colonna. Embora o contato físico seja debatido por historiadores, o termo "bofetada" refere-se principalmente à humilhação pública e moral imposta ao pontífice.
  • Consequência Imediata: Bonifácio VIII foi libertado pela população local após três dias de cativeiro, mas, abalado pela humilhação, faleceu um mês depois em Roma.
  • Impacto Histórico: O episódio marcou o fim das pretensões papais de domínio político absoluto sobre os reis europeus e abriu caminho para o Cativeiro de Avignon, período em que a sede do papado foi transferida para a França

 

Cativeiro de Avignon (1309-1377): A sede papal é transferida para a França, resultando em uma significativa perda de prestígio e controle político direto sobre a Itália.

Papas Príncipes (século XV): Após retornarem a Roma, os Papas (como os Bórgias ou Júlio II) atuaram como verdadeiros soberanos renascentistas, com exércitos, cortes suntuosas e uma política de expansão territorial com o objetivo de consolidar os Estados Papais como uma potência italiana.

A descoberta da falsificação da Doação de Constantino, realizada pelo humanista Lorenzo Valla em 1440, representou um terremoto intelectual que atingiu os próprios alicerces da legitimidade política da Igreja.

 

1. O Colapso da Base Legal

Durante séculos, a Igreja justificou sua posse de Roma e dos territórios italianos alegando que o Imperador Constantino, no século IV, os havia cedido legalmente ao Papa Silvestre I. Valla demonstrou, por meio de análise filológica (observando palavras e expressões latinas que ainda não existiam no século IV), que o documento era uma falsificação criada no século VIII.

Consequência: O poder territorial da Igreja deixou de ser visto como um "direito divino ou imperial herdado", passando a ser considerado uma construção política humana.

2. A Reação da Igreja

Apesar das evidências científicas, a Igreja não abriu mão de seus territórios. Inicialmente, tentou ignorar ou censurar a obra de Valla. No entanto, o argumento de Valla era tão forte que a hierarquia eclesiástica teve que mudar de estratégia:

Da lei à história: A legitimidade dos Estados Papais passou a ser defendida não mais com base em um "pedaço de papel" (a Doação), mas na posse secular e na necessidade de o Papa ser politicamente independente dos soberanos europeus para exercer seu ministério espiritual.

 

3. O Impacto na Reforma Protestante

As teses de Valla foram publicadas por Ulrich von Hutten em 1517 e se tornaram uma arma fundamental para Martinho Lutero.

A acusação: Para os reformadores, a falsificação era a prova definitiva da "corrupção" e da "ganância" de Roma. Isso acelerou a crítica teológica à fusão da fé com a gestão do poder político.

4. O Nascimento do Método Crítico

A obra de Valla marcou o nascimento da historiografia moderna. Ele demonstrou que nenhum poder, nem mesmo o sagrado, poderia escapar da análise crítica de fatos e documentos. Isso enfraqueceu a autoridade política da Igreja a longo prazo, forçando-a a justificar seu papel não mais como "senhora do mundo", mas como guia moral.

 

 O poder político da Igreja Católica do Concilio de Trento (1560) até o Concílio Vaticano II (1962)

 

A evolução do poder político da Igreja Católica entre o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano II reflete a mudança de uma estrutura de defesa doutrinal e centralização monárquica para uma de diálogo aberto com a modernidade e o pluralismo.

As principais etapas desse processo incluem:

O Concílio de Trento (1545-1563): Marca o nascimento da Igreja da Contrarreforma. Consolidou o poder central do Papa, reafirmou a autoridade do Magistério e fortaleceu instrumentos de controle, como a Inquisição e o Índice de Livros Proibidos, para defender a ortodoxia dos ataques protestantes.

A Era do Absolutismo e do "Tridentinismo": Nos séculos seguintes, a Igreja adotou um modelo de uniformidade e centralização romana, no qual os decretos tridentinos se tornaram o único filtro através do qual todos os assuntos institucionais e doutrinais eram tratados. O papado manteve um papel fundamental como juiz na vida política e civil da sociedade europeia.

O Primeiro Concílio Vaticano (1869-1870): Embora interrompido pela captura de Roma, representou o ápice da centralização hierárquica com a proclamação dos dogmas da primazia papal e da infalibilidade papal, levando inicialmente ao isolamento político e espiritual da Igreja no mundo moderno.

Os Pactos de Latrão (1929): (Um fato histórico fundamental não explicitamente declarado no texto, mas implícito na evolução das relações entre Igreja e Estado) resolveram a "Questão Romana", definindo o status político da Igreja na Itália e garantindo a soberania do Estado da Cidade do Vaticano.

O Segundo Concílio Vaticano (1962-1965): Marcou uma virada histórica, passando de uma postura defensiva para uma de "aggiornamento" (atualização). Documentos como Gaudium et Spes redefiniram a relação entre a Igreja e o mundo contemporâneo, baseando-a no diálogo.

Liberdade religiosa: Com a declaração Dignitatis Humanae, a Igreja aceitou o princípio da liberdade religiosa garantida pelo Estado, renunciando à reivindicação de proteção privilegiada como a única religião "verdadeira".

Ecumenismo: O decreto Unitatis Redintegratio abriu caminho para uma nova relação de igualdade e diálogo com outras denominações cristãs.

Dignidade humana: A Igreja estabeleceu a dignidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus, como fundamento de seu ensinamento social no mundo moderno.

 

A Questão Romana

Foi o longo conflito político e diplomático entre o Reino da Itália e a Santa Sé, que durou de 1861 a 1929, relativo ao papel de Roma e à soberania temporal do Papa. As etapas cruciais do conflito foram:

A Unificação da Itália (1861): Com a proclamação do Reino, Roma foi declarada a "capital moral", mas permaneceu sob o controle do Papa e protegida pelas tropas francesas de Napoleão III.

A Invasão da Porta Pia (20 de setembro de 1870): Aproveitando-se da queda de Napoleão III na Guerra Franco-Prussiana, o exército italiano entrou em Roma. Este evento marcou o fim dos Estados Papais e do poder temporal dos papas.

A Lei das Garantias (1871): O Estado italiano tentou regular as relações unilateralmente, garantindo ao Papa a inviolabilidade e a posse dos palácios do Vaticano. O Papa Pio IX rejeitou a lei, declarando-se "prisioneiro no Vaticano" e proibindo os católicos de participarem da vida política italiana com o decreto Non Expedit.

Os Pactos de Latrão (11 de fevereiro de 1929): A disputa foi oficialmente resolvida com os acordos assinados entre Benito Mussolini e o Cardeal Pietro Gasparri. Resultados dos Pactos de Latrão:

Tratado Internacional: Criação do Estado da Cidade do Vaticano como uma entidade soberana e independente.

Concordata: Regulamentação das relações civis e religiosas entre a Igreja e o Governo (por exemplo, a validade civil do casamento religioso).

Convenção Financeira: Compensação financeira à Santa Sé pela perda dos territórios papais.

 

Para refletir: DESCENDENDO DO SAGRADO IMPÉRIO ROMANO (Paolo Cugini)

https://matutan.blogspot.com/2024/08/descendendendo-do-sagrado-imperio-romano.html

 

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