O cristofascismo é um conceito teológico e
sociológico que descreve a fusão de elementos do cristianismo com ideologias e
práticas do fascismo. O termo é utilizado para identificar movimentos que
utilizam a linguagem e os símbolos cristãos para justificar governos autoritários,
exclusão social e a repressão de minorias.
Origem e Conceito
O termo foi cunhado em 1970 pela teóloga
alemã Dorothee Sölle. Ela desenvolveu o conceito ao analisar como
igrejas cristãs na Alemanha colaboraram com o regime nazista, permitindo que a
religião fosse instrumentalizada pelo Estado para promover o ódio e o
nacionalismo extremo.
Principais
Características
Autoritarismo Divinizado: A crença de que líderes políticos são
escolhidos ou sancionados por Deus para impor uma visão de mundo específica.
Nacionalismo Religioso: A identidade da nação é fundida à identidade
cristã, tratando quem pensa ou vive diferente como uma ameaça à
"verdadeira fé" ou à pátria.
Exclusão e Demonização: Diferente do fundamentalismo tradicional, que
foca na interpretação literal da Bíblia, o cristofascismo atua na esfera
política para marginalizar grupos como a comunidade LGBTQIA+, seguidores de
religiões de matriz africana e movimentos progressistas, frequentemente
rotulando-os como "inimigos espirituais" ou "demoníacos".
Inversão Teológica: Críticos argumentam que o movimento inverte a
mensagem bíblica de serviço e solidariedade aos pobres, transformando-a em uma
ideologia de poder, conquista e defesa de hierarquias sociais. É um
movimento que condena a solidariedade.
Contexto Atual no Brasil
Em 2026, o debate sobre o cristofascismo continua
central nas ciências sociais brasileiras, especialmente associado ao fenômeno
do bolsonarismo. Pesquisadores como Fábio Py analisam como
discursos religiosos foram utilizados para sustentar estruturas de poder
autoritário e mobilizar bases sociais através do medo e da defesa de valores
tradicionais impostos via Estado.
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