A noção clássica de Episteme (do
grego ἐπιστήμη) refere-se ao conhecimento verdadeiro, científico ou filosófico,
fundamentado na razão e na lógica, em oposição à mera opinião ou crença.
1. Episteme vs. Doxa
A distinção fundamental, estabelecida principalmente
por Platão, ocorre entre:
- Episteme (Conhecimento): É o saber necessário, universal e imutável.
Ele não depende de impressões subjetivas, mas de uma compreensão das
causas e princípios das coisas.
- Doxa (Opinião): É o saber sensível, mutável e particular. Refere-se ao mundo
das aparências e aos sentidos, sendo, por natureza, falível.
2. A Visão de Platão
Para Platão, a episteme só é
alcançada quando a alma se volta para o Mundo das Ideias. O
conhecimento real não está nos objetos físicos (que mudam), mas nas formas
inteligíveis e eternas. No "Alegoria da Caverna", a saída da caverna
representa a transição da doxa (sombras) para a episteme (a
luz do sol/verdade).
3. A Visão de Aristóteles
Aristóteles sistematizou a episteme como
o conhecimento pelas causas. Para ele, conhecer algo
cientificamente significa saber:
- O que a coisa é;
- Por que ela é assim (sua causa);
- Que ela não poderia ser de outra maneira (necessidade).
Diferente de Platão, Aristóteles acreditava que a episteme poderia ser extraída da realidade empírica através da observação e da demonstração lógica (silogismo).
4. Episteme e Techné
Na Grécia Antiga, também era comum distinguir episteme de techné (técnica
ou arte). Enquanto a techné é um saber voltado para o
"fazer" (produção de algo prático), a episteme é um
saber voltado para o "conhecer" (contemplação teórica da
verdade).
5. Legado Moderno
O conceito clássico de episteme é a
raiz da Epistemologia moderna, que estuda a validade e a
natureza do conhecimento científico. No século XX, o filósofo Michel Foucault
resgatou o termo, mas com um novo sentido: para ele, "episteme"
define o conjunto de regras e estruturas que determinam o que é considerado
verdade em uma determinada época histórica
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