Paolo Cugini
No Novo Testamento, mas também no Antigo, existem afirmações
que podem sustentar uma política cristã e a participação ativa do cristão na
vida política?
Jesus não se vinculou a movimentos políticos de seu
tempo, como zelotes ou saduceus, mas suas falas estabeleceram princípios sobre
poder e autoridade:
- A Separação de esferas: Ao ser questionado sobre impostos, Jesus
proferiu a famosa frase: "Dai, pois, a César o que é de
César, e a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). Esta passagem é
frequentemente interpretada como o reconhecimento da legitimidade das
obrigações civis, sem que estas interfiram na lealdade suprema devida a
Deus. É também um versículo que fundamenta a ação politica dos cristãos.
- O Poder como serviço: Jesus inverteu a lógica política tradicional de dominação.
Ele afirmou: "Vocês sabem que os governantes das nações as
dominam... Não será assim entre vocês" (Mt 20,25-28). Para Jesus,
a verdadeira autoridade no "Reino" deve ser exercida através do
serviço ao próximo, e não pelo exercício arbitrário do poder.
- A natureza do seu Reino: Durante seu julgamento perante Pilatos,
Jesus declarou explicitamente: "O meu Reino não é deste mundo”
(João 18,36). Ele enfatizou que sua missão era espiritual e
transcendente, não visando a derrubada do Império Romano ou a instauração
de uma teocracia terrena.
- A tomada de posição explicita ao lado dos pobres. A mesma vida de Jesus mostra uma tomada clara
ao lado dos pobres. Os evangelhos retratam Jesus em constante defesa e
identificação com os pobres, necessitados e marginalizados, destacando-os
como preferidos no Reino de Deus. Ele não apenas sentia compaixão, mas
assumia uma posição prática de solidariedade, chamando seguidores ao
desapego e ao auxílio aos desamparados.
a. O seu nascimento: Lc 1-2.
b. A Missão Declarada (Lucas 4, 18-19): "O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque me ungiu para pregar boas novas aos pobres..." Este é o manifesto de Jesus, colocando a
evangelização e libertação dos necessitados no centro de sua missão.
c. A decisão na vida adulta de não ter uma moradia fixa, mas de andar pelas ruas da palestina com um grupo de discípulos
e discipulas
d. A declaração das bem-aventuranças (Lc 6, 20-26)
e.
A
declaração que os ricos não poderão participar ao reino de Deus
·
Mc
10: Mt 18
·
Parábola
do pobre lazaro e o rico (Lc 16, 19-30)
·
Diálogo
com o jovem Rico (Mc 10,17-31)
f.
A
identificação de Jesus com os pobres (Mt 25,31s)
g. Solidariedade e partilha (João 13, 29): Jesus e seus apóstolos mantinham um fundo comum,
e Jesus instruiu que recursos fossem dados aos pobres.
h. Exemplo da viúva (Lucas 21, 3-4): Jesus valoriza a viúva pobre que dá tudo o que
tem, demonstrando valorizar a generosidade dos despossuídos acima da ostentação
dos ricos.
Essas passagens mostram que o posicionamento de Jesus
não era apenas teórico, mas um convite prático ao amor fraterno e à
justiça social.
Além disso, a posição política de Jesus é
frequentemente descrita como desprendida de partidos, focada na
transformação do indivíduo e na justiça social baseada no amor, em vez de na
conquista do aparato estatal. É uma proposta política de cunho profético, que
visa a denúncia contra as injustiças e a defesa das classes sociais mais excluídas,
junto com uma tomada de posição clara ao lado dos pobres e marginalizados, com
as minorias da sociedade.
A transformação política, proposta por Jesus, não passa para uma identificação de tipo partidário e
representativa, mas na transformação espiritual de cada indivíduo. Somente cidadãos
transformados, renovados, poderão realizar uma cidade que tenha o marco do
rosto de Deus.
Roma 12,1-2
Carta a Diogneto: https://paideiafca.blogspot.com/2023/08/carta-diogneto.html
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