terça-feira, 10 de março de 2026

EMPÉDOCLES (Antologia)

 



 

[Material elaborado por Paolo Cugini]

Fragmento 11 e 12:

     Crianças! breve vôo têm os seus pensamentos, estes que crêem que possa nascer o que antes não era, ou que alguma coisa pereça e se destrua totalmente. Pois não é possível que algo surja do que antes não era e que pereça o que é, é coisa vã e sem qualquer sentido; de fato (o ser) sempre será, onde quer que se o deva parar.

Fragmento 8:

     Outra coisa direi: não há nascimento de qualquer das coisas mortais, nem termo de morte funesta; mas só misturar-se e dissolver-se de substâncias mistas existe e entre os homens chama-se nascimento.

     Saiba, pois primeiramente que quatro são as raízes de todas as coisas, Zeus candente, Hera vivificadora e Aidoneus e Nestis que de suas lágrimas destila a fonte mortal.

 Fragmento 21:

     Mas, eis, discerne a prova das palavras que já te disse, se é que antes disse havia alguma falta na forma dos elementos; volta, pois, o olhar para o sol quente de se ver e luminoso em toda parte, e quantas são essências ambrosias e se banham de ardor e de chama [candente, e a chuva, em toda parte friorenta e nebulosa, e da terra brota tudo o que é sólido e compacto.

     Estas coisas [os elementos e as duas forças] todas são iguais e igualmente primevas, mas cada uma rege a própria honra e cada um tem o seu caráter, e a seu turno predominam no decorrer do tempo, e além delas não se acrescenta ou deixa de existir [alguma coisa] porque se destruíssem totalmente já não seriam, e o que poderia aumentar esse todo, e de onde viria? E onde se destruiriam, pois não há nada ausente delas. São, pois, estas que são, e passando umas através das outras, tornam-se ora estas, ora aquelas coisas sempre eternamente iguais.

Fragmento 26:

      Em turnos prevalecem [amor e ódio] no recorrente ciclo, e entre si se fundem e se somam nas vicissitudes do destino. São, pois, estes que são [os elementos], e passando uns através dos outros tornam-se homens e outras estirpes ferinas, ora por amizade convergindo em unidade de harmonia, ora, ao invés, separadamente, cada um levado pela inimizade da contenda, até que depois de terem crescido na unidade do todo, de novo se abismam. Assim, como o Uno surge de muitas coisas e distinguindo-se o Uno, muitas coisas resultam, deste modo estas se tornam e não é estável a sua vida; e enquanto não cessam nunca de se transformar por isso são sempre imóveis no ciclo [do universo].

     Mas de todas as partes [era] igual e por todas infinita, Esfera redonda que goza da sua envolvente solidão.

     Mas, de seu dorso não irrompem duas ramificações, nem [possui] pés, nem ágeis joelhos, nem fecundas pudendas, mas esférico era e [de todo lado] igual a si mesmo.

Fragmento 109:

     Pois com terra vemos terra, com água vemos água, com éter o éter divino, e com fogo o fogo aniquilante com Amor o Amor, com contenda a dolorosa contenda.

Fragmento 105:

No fluxo do pulsante sangue nutre-se [o coração], onde maximamente está o que os mortais chamam de pensamento; pois o sangue que reflui em volta do coração é para os homens o [pensamento.

     Vaticínio do Fado, decreto antigo dos Numes, sempiterno, com amplos juramentos bem selado, que se alguém mancha os membros de sangue culpável, ou impiamente jura, seguindo [a contenda], (algum dos demônios que tiveram por sorte longa vida) vá errante longe dos bem-aventurados por três vezes dez mil estações, e renascendo no tempo em toda espécie de seres mortais, mude os dolorosos caminhos da vida. Porque a força do éter lança-os no mar, o mar sobre a terra cospe-os, a terra nos turbilhões do sol luminoso, que os lança nos vórtices do éter: um do outro os acolhe e todos o odeiam. Um destes agora sou eu, fugitivo dos deuses e errante, porque prestei fé à furiosa contenda... .

     Porque fui um tempo menino e menina, arbusto, passarinho e mundo peixe do mar... .

     De que honra e de quanta grandeza de felicidade, [aqui entre os mortais em encontro, banido do Olimpo!].

     E por fim vates se tornam poetas e médicos, e príncipes entre os homens gerados da terra, donde renascem como deuses em honra supremos.

     E estes terão vida bem aventurada:

     Entre os outros imortais têm comum morada e mesa, de dores humanas privados, incólumes, indestrutíveis.

Fragmento 21:

     [estes elementos] todos no ódio tornam-se diferentes de aspectos e separados; unem-se no mar e entre si se desejam, porque todos os seres que foram, são e serão, germinaram, e árvores e homens e mulheres, feras e pássaros e peixes que se criam n’água, e numes longevos em honra supremos: são estes [os elementos] que são, e passam uns através dos outros tornam-se de diferente aspecto: tanto quanto permita a mistura.

Fragmento 134:

     Não se adornam os seus membros com cabeça humana nem do dorso dois ramos irrompem, pés não têm, nem ágeis joelhos, nem pudendas peludas, mas só uma sagrada e inefável mente, que por todo o mundo se lança com velozes pensamentos.

     Sustentam que se deve negar validade às sensações e às representações, enquanto se deve ter confiança apenas na pura razão. Proposições deste teor foram sustentadas em época mais antiga por Xenófanes, Parmênides, Melisso e, mais recentemente, por Estílpone, pelos megáricos e seus seguidores. Conseqüentemente, estes afirmavam que o ser é uno, enquanto uma coisa não é idêntica com outra, e negavam de modo absoluto a geração, a corrupção e o movimento de qualquer coisa.

     [Euclides] eliminava as coisas contrárias ao Bem, sustentado que não são.

     Não admitia o argumento por analogia, sustentando que este se baseia sobre coisas semelhantes ou sobre dessemelhantes; e se baseia sobre coisas semelhantes, o argumento deve tratar de coisas semelhantes mais que das suas analogias; se baseia sobre coisas dessemelhantes, o paralelo é supérfluo.

     [Euclides] nas demonstrações não atacava as premissas, mas as conclusões.

     Euclides afirmou que uno é o bem, que é chamado com muitos nomes: ora sabedoria, ora Deus, ora mente, e assim por diante.

     E então, caríssimo, não devemos absolutamente nos preocupar com o que pensam os outros, mas só com o que diz aquele que entende das coisas justas e das injustas, e este é um só e é a própria verdade.

     Não me preocupo com estes tagarelas, nem com quaisquer outros, nem Fédon, quem quer que ele seja, nem com o belicoso Euclides, que inspirou aos megáricos o frenético amor pela controvérsia.

      

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