[Material elaborado por Paolo Cugini]
Fragmento
11 e 12:
Crianças! breve vôo têm os seus
pensamentos, estes que crêem que possa nascer o que antes não era, ou que
alguma coisa pereça e se destrua totalmente. Pois não é possível que algo surja
do que antes não era e que pereça o que é, é coisa vã e sem qualquer sentido;
de fato (o ser) sempre será, onde quer que se o deva parar.
Fragmento
8:
Outra coisa direi: não há nascimento de
qualquer das coisas mortais, nem termo de morte funesta; mas só misturar-se e
dissolver-se de substâncias mistas existe e entre os homens chama-se
nascimento.
Saiba, pois primeiramente que quatro são
as raízes de todas as coisas, Zeus candente, Hera vivificadora e Aidoneus e
Nestis que de suas lágrimas destila a fonte mortal.
Fragmento 21:
Mas, eis, discerne a prova das palavras
que já te disse, se é que antes disse havia alguma falta na forma dos
elementos; volta, pois, o olhar para o sol quente de se ver e luminoso em toda
parte, e quantas são essências ambrosias e se banham de ardor e de chama
[candente, e a chuva, em toda parte friorenta e nebulosa, e da terra brota tudo
o que é sólido e compacto.
Estas coisas [os elementos e as duas
forças] todas são iguais e igualmente primevas, mas cada uma rege a própria
honra e cada um tem o seu caráter, e a seu turno predominam no decorrer do
tempo, e além delas não se acrescenta ou deixa de existir [alguma coisa] porque
se destruíssem totalmente já não seriam, e o que poderia aumentar esse todo, e
de onde viria? E onde se destruiriam, pois não há nada ausente delas. São,
pois, estas que são, e passando umas através das outras, tornam-se ora estas,
ora aquelas coisas sempre eternamente iguais.
Fragmento
26:
Em turnos prevalecem [amor e ódio] no
recorrente ciclo, e entre si se fundem e se somam nas vicissitudes do destino.
São, pois, estes que são [os elementos], e passando uns através dos outros tornam-se
homens e outras estirpes ferinas, ora por amizade convergindo em unidade de
harmonia, ora, ao invés, separadamente, cada um levado pela inimizade da
contenda, até que depois de terem crescido na unidade do todo, de novo se
abismam. Assim, como o Uno surge de muitas coisas e distinguindo-se o Uno,
muitas coisas resultam, deste modo estas se tornam e não é estável a sua vida;
e enquanto não cessam nunca de se transformar por isso são sempre imóveis no
ciclo [do universo].
Mas de todas as partes [era] igual e por
todas infinita, Esfera redonda que goza da sua envolvente solidão.
Mas, de seu dorso não irrompem duas
ramificações, nem [possui] pés, nem ágeis joelhos, nem fecundas pudendas, mas
esférico era e [de todo lado] igual a si mesmo.
Fragmento
109:
Pois com terra vemos terra, com água vemos
água, com éter o éter divino, e com fogo o fogo aniquilante com Amor o Amor,
com contenda a dolorosa contenda.
Fragmento
105:
No
fluxo do pulsante sangue nutre-se [o coração], onde maximamente está o que os
mortais chamam de pensamento; pois o sangue que reflui em volta do coração é
para os homens o [pensamento.
Vaticínio do Fado, decreto antigo dos
Numes, sempiterno, com amplos juramentos bem selado, que se alguém mancha os
membros de sangue culpável, ou impiamente jura, seguindo [a contenda], (algum
dos demônios que tiveram por sorte longa vida) vá errante longe dos
bem-aventurados por três vezes dez mil estações, e renascendo no tempo em toda
espécie de seres mortais, mude os dolorosos caminhos da vida. Porque a força do
éter lança-os no mar, o mar sobre a terra cospe-os, a terra nos turbilhões do
sol luminoso, que os lança nos vórtices do éter: um do outro os acolhe e todos
o odeiam. Um destes agora sou eu, fugitivo dos deuses e errante, porque prestei
fé à furiosa contenda... .
Porque fui um tempo menino e menina,
arbusto, passarinho e mundo peixe do mar... .
De que honra e de quanta grandeza de
felicidade, [aqui entre os mortais em encontro, banido do Olimpo!].
E por fim vates se tornam poetas e
médicos, e príncipes entre os homens gerados da terra, donde renascem como
deuses em honra supremos.
E estes terão vida bem aventurada:
Entre os outros imortais têm comum morada
e mesa, de dores humanas privados, incólumes, indestrutíveis.
Fragmento
21:
[estes elementos] todos no ódio tornam-se
diferentes de aspectos e separados; unem-se no mar e entre si se desejam,
porque todos os seres que foram, são e serão, germinaram, e árvores e homens e
mulheres, feras e pássaros e peixes que se criam n’água, e numes longevos em
honra supremos: são estes [os elementos] que são, e passam uns através dos
outros tornam-se de diferente aspecto: tanto quanto permita a mistura.
Fragmento
134:
Não se adornam os seus membros com cabeça
humana nem do dorso dois ramos irrompem, pés não têm, nem ágeis joelhos, nem
pudendas peludas, mas só uma sagrada e inefável mente, que por todo o mundo se
lança com velozes pensamentos.
Sustentam que se deve negar validade às
sensações e às representações, enquanto se deve ter confiança apenas na pura
razão. Proposições deste teor foram sustentadas em época mais antiga por
Xenófanes, Parmênides, Melisso e, mais recentemente, por Estílpone, pelos
megáricos e seus seguidores. Conseqüentemente, estes afirmavam que o ser é uno,
enquanto uma coisa não é idêntica com outra, e negavam de modo absoluto a
geração, a corrupção e o movimento de qualquer coisa.
[Euclides] eliminava as coisas contrárias
ao Bem, sustentado que não são.
Não admitia o argumento por analogia,
sustentando que este se baseia sobre coisas semelhantes ou sobre
dessemelhantes; e se baseia sobre coisas semelhantes, o argumento deve tratar
de coisas semelhantes mais que das suas analogias; se baseia sobre coisas
dessemelhantes, o paralelo é supérfluo.
[Euclides] nas demonstrações não atacava
as premissas, mas as conclusões.
Euclides afirmou que uno é o bem, que é
chamado com muitos nomes: ora sabedoria, ora Deus, ora mente, e assim por
diante.
E então, caríssimo, não devemos
absolutamente nos preocupar com o que pensam os outros, mas só com o que diz
aquele que entende das coisas justas e das injustas, e este é um só e é a
própria verdade.
Não me preocupo com estes tagarelas, nem
com quaisquer outros, nem Fédon, quem quer que ele seja, nem com o belicoso
Euclides, que inspirou aos megáricos o frenético amor pela controvérsia.
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