Para Henri Bergson, a evolução criativa é o conceito
que ele expressou em sua obra homônima de 1907 para explicar que a vida não é o
resultado de mecanismos cegos ou de um plano pré-estabelecido, mas um processo
de autocriação contínua.
Aqui estão os pontos-chave para compreendê-la:
O élan vital (impulso vital): É uma força espiritual e invisível
que flui através da matéria, impulsionando-a a se organizar em formas cada vez
mais complexas e imprevisíveis. É o "motor" da evolução.
Imprevisibilidade: Ao contrário do finalismo (que vê tudo como
predeterminado) ou do mecanicismo (que vê tudo como causa e efeito), Bergson
sustenta que a evolução é livre. Cada nova espécie ou forma de vida é uma
invenção original, não dedutível do passado.
Matéria vs. Vida: A matéria é vista como uma força de resistência ou
um "movimento descendente", enquanto o élan vital é um
"movimento ascendente". A evolução é o resultado da colisão entre
essas duas forças: a vida tentando abrir caminho através da inércia da matéria.
Duração real: A evolução não ocorre no tempo físico (uma sucessão
de instantes), mas na duração, onde o passado é preservado e constantemente
enriquecido no presente, criando um futuro sempre novo.
Em suma, para Bergson, a natureza é como um artista
que cria sem um modelo fixo, tornando todo o universo um sistema dinâmico e
aberto.
Para Bergson, a intuição não é um sentimento
vago ou uma inspiração mística, mas o verdadeiro método da filosofia, em
oposição à análise científica da inteligência.
Eis os pilares que a definem:
• Simpatia intelectual: Bergson define a
intuição como uma forma de "simpatia" através da qual a pessoa se
transporta para dentro de um objeto para coincidir com sua essência única e
inexprimível.
• Conhecimento absoluto: Enquanto a
inteligência observa as coisas de fora e as decompõe em símbolos (conceitos,
palavras, números) para fins práticos e utilitários, a intuição apreende a
realidade de dentro. A inteligência nos dá conhecimento relativo; a intuição
nos dá conhecimento absoluto.
• Compreensão da duração: A intuição é a
ferramenta específica para perceber a duração real (o tempo experimentado como
um fluxo contínuo). A inteligência "espacializa" o tempo, dividindo-o
em instantes separados como fotogramas de um filme; a intuição, por outro lado,
percebe o movimento indivisível da vida.
• Retorno ao Espírito: Se a inteligência se dirige à
matéria para dominá-la, a intuição é um voltar-se da mente para si mesma. É o
esforço de ir além das necessidades práticas para redescobrir a continuidade da
consciência.
Em suma, a intuição é o órgão da metafísica: ela nos
permite apreender a realidade em sua fluidez e devir, antes que o intelecto a
rigidifique em padrões fixos.
Livros de Bergson
Essais sur les données immédiates de la conscience (1889)
Matière et mémoire (1896)
Le Rire (1899)
L'Évolution créatrice (1907)
L'Énergie spirituelle (1919)
Durée et simultanéité, à propos de la théorie d'Einstein (1922)
Les Deux Sources de la morale et de la religion (1932)
La Pensée et le mouvant (1934)
Mélanges (1972)
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