Na filosofia de Platão, a alma não é
"formada" por um processo biológico, mas é uma entidade imortal e
imaterial que preexiste ao corpo. Sua origem e natureza são explicadas
principalmente por meio de mitos e dialética em diálogos como o Timeu e o
Fedro.
1. A Origem Cósmica (O Timeu)
Segundo o Timeu, a alma é moldada pelo Demiurgo, um
criador divino que ordena o cosmos:
Alma do Mundo: O Demiurgo primeiro cria a Alma do Mundo, uma força
vital que permeia e ordena todo o universo.
Alma Humana: Posteriormente, o Demiurgo cria almas individuais
usando os mesmos "remanescentes" da mistura usada para a Alma do
Mundo, tornando-as semelhantes à natureza divina e racional. Essas almas são
então designadas às estrelas antes de encarnarem.
2. A Estrutura da Alma (A Divisão Tripartida)
Na República e no Fedro, Platão descreve a alma como
composta por três partes ou funções:
Parte Racional (Logistikòn): Localizada no cérebro; é o cocheiro que guia,
representa a razão e busca o conhecimento das Ideias.
Parte Irascível (Thymoeidès): Localizada no peito; é o cavalo branco obediente,
representa a coragem e a indignação moral.
Parte Concupiscível (Epithymetikòn): Localizada no abdômen; é o cavalo preto rebelde,
representa os impulsos sensuais e os desejos materiais.
3. A Encarnação e a "Queda"
No mito da carruagem alada (Fedro), a alma
originalmente reside no Hiperurânio, contemplando as Ideias. A encarnação no
corpo ocorre quando o cocheiro não consegue domar o cavalo negro: a alma perde
suas asas e "cai" no mundo sensível, onde o corpo se torna sua
"prisão" ou "túmulo" (soma-sema).
Pontos-chave
Pré-existência e Imortalidade: A alma não nasce com o
corpo; ela sempre existiu e sobrevive à morte física.
Reminiscência (Anamnese): Como a alma viu as Ideias antes de encarnar, conhecer
significa "lembrar" o que a alma já aprendeu em sua vida pré-natal.
Destino: Através do mito de Er, Platão explica que a própria alma escolhe seu
modelo de vida e destino antes de cada nova encarnação.
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