A doutrina das "sementes
do Verbo" (semina Verbi, em latim) é um conceito teológico
fundamental nos documentos do Concílio Vaticano II para embasar o
diálogo inter-religioso, o ecumenismo e a atividade missionária. Recuperada do
filósofo e mártir do século II, São Justino, essa perspectiva afirma que o
Verbo de Deus (Jesus Cristo) espalhou fragmentos de verdade, bondade e
santidade por todas as culturas, filosofias e religiões da humanidade antes
mesmo da pregação formal do Evangelho.
1. Decreto Ad Gentes
(Sobre a Atividade Missionária)
É o documento que cita
explicitamente o termo e serve de pilar para a missiologia moderna.
- No número 11: O texto exorta os cristãos a se inserirem com respeito nas
diversas culturas, descobrindo com alegria e paciência as sementes do
Verbo nelas ocultas.
- No número 15: Afirma que o Espírito Santo chama todos os seres humanos a Cristo
tanto pelas sementes do Verbo quanto pela pregação explícita do
Evangelho.
O objetivo: O Concílio esclarece que a missão não visa destruir o
que há de bom nessas culturas, mas "curar, elevar e aperfeiçoar"
esses germes à luz da verdade plena de Cristo.
2. Declaração Nostra Aetate
(Sobre as Religiões Não-Cristãs)
Embora não utilize o termo
técnico literal, este documento é a aplicação prática mais evidente da teologia
das sementes do Verbo.
- No número 2: Declara expressamente que a Igreja Católica nada rejeita do que
há de verdadeiro e santo nessas religiões. O texto afirma que os seus
modos de vida e doutrinas frequentemente "refletem um raio daquela
Verdade que ilumina todos os homens".
3. Constituição Dogmática Lumen
Gentium (Sobre a Igreja)
O documento conecta os
elementos de verdade encontrados fora da Igreja visível à preparação para
receber o Evangelho.
- No número 16: Ao tratar dos não-cristãos, o Concílio afirma que tudo o que de
bom e verdadeiro se encontra neles é considerado pela Igreja como uma "preparação
evangélica", dada por Aquele que ilumina todo homem para que
finalmente tenham a vida.
4. Constituição Pastoral Gaudium
et Spes (Sobre a Igreja no Mundo Atual)
Aborda a presença desses
germes divinos na própria natureza humana.
- No número 3: Menciona que o próprio ser humano carrega em si uma "semente
divina" (divinum quoddam semen) colocada por Deus, o que
justifica a sua busca inata pela verdade, pela justiça e pela eternidade.
Para o Vaticano II, as
sementes do Verbo significam que: Deus nunca esteve ausente. A humanidade e
suas religiões não são um completo vazio espiritual, pois o Espírito Santo atua
além dos limites visíveis da Igreja. Essas sementes são reais, porém incompletas.
Elas encontram seu desabrochar, correção e cumprimento definitivo apenas na
pessoa de Jesus Cristo
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