sábado, 24 de janeiro de 2026

A relação entre filosofia e ciência

 



 

A relação entre filosofia e ciência evoluiu de uma unidade total na Antiguidade para uma distinção metodológica moderna, mantendo, contudo, uma profunda interdependência. 

1. A Filosofia como "Mãe das Ciências"

Historicamente, não havia distinção entre as áreas. A ciência era chamada de "filosofia natural". Com o tempo, ramos específicos se destacaram ao desenvolverem métodos experimentais próprios. 

 

"A ciência é o que você sabe, a filosofia é o que você não sabe." — Bertrand Russell

Esta frase resume a ideia de que a filosofia atua na fronteira do conhecimento, formulando perguntas que, uma vez passíveis de teste empírico, tornam-se ciência.

 

2. A Ciência depende de Pressupostos Filosóficos

A ciência não opera no vácuo; ela utiliza conceitos que não pode provar sozinha, como a existência da realidade objetiva ou a validade da lógica. 

"Não existe ciência livre de filosofia; existe apenas ciência cujas bagagens filosóficas são levadas a bordo sem exame." — Daniel Dennett

 

3. A Epistemologia e a Demarcação

A filosofia da ciência investiga o que torna um conhecimento "científico". O debate sobre o critério de demarcação é central para entender essa relação. 

  • Karl Popper: Defendeu que a ciência se distingue da metafísica pela sua capacidade de ser contestada.

"O critério do estatuto científico de uma teoria é a sua falsificabilidade, refutabilidade ou testabilidade." — Karl Popper em A Lógica da Pesquisa Científica.

 

  • Thomas Kuhn: Argumentou que a ciência progride através de mudanças de paradigma, que são influenciadas por contextos sociais e filosóficos.

"A ciência normal não visa novidades de fato ou de teoria e, quando bem-sucedida, não encontra nenhuma." — Thomas Kuhn em A Estrutura das Revoluções Científicas.

 

4. Complementaridade

Enquanto a ciência busca explicar como o mundo funciona através de evidências, a filosofia questiona por que esses métodos são válidos e quais as implicações éticas das descobertas.

"A ciência sem a filosofia é cega; a filosofia sem a ciência é vazia."  Immanuel Kant.

 

Epistemologia, ou Teoria do Conhecimento

 



Epistemologia, ou Teoria do Conhecimento, é o ramo da filosofia que investiga a natureza, a origem, o alcance e a validade do conhecimento humano. 

Pilares fundamentais para compreender

 

1. A Definição Clássica de Conhecimento

Desde Platão, o conhecimento é tradicionalmente definido como crença verdadeira justificada. Para que algo seja considerado "saber", não basta ser verdade; o sujeito deve acreditar nisso e possuir evidências ou razões que sustentem essa certeza. 

 

2. Principais Correntes sobre a Origem

  • Racionalismo: Defende que a razão é a principal fonte de conhecimento. Pensadores como René Descartes argumentam que existem ideias inatas e que os sentidos podem nos enganar [3].
  • Empirismo: Sustenta que todo conhecimento provém da experiência sensorial. John Locke e David Hume afirmam que a mente é uma "folha em branco" preenchida pelas percepções do mundo [3, 4].
  • Criticismo Kantiano: Immanuel Kant operou uma "revolução copernicana" ao propor que tanto a experiência quanto a razão são necessárias: os sentidos fornecem os dados, mas a mente os organiza através de categorias estruturantes. 

 

3. O Problema da Verdade e do Ceticismo

  • Ceticismo: Questiona a possibilidade de atingirmos uma certeza absoluta, sugerindo que a suspensão do juízo é a atitude mais racional diante da falibilidade humana.
  • Dogmatismo: Acredita na capacidade plena de conhecer a verdade absoluta sem questionamentos prévios. 

4. Epistemologia Contemporânea

No século XXI, a discussão expandiu-se para:

  • Epistemologia Social: Estuda como as instituições e grupos influenciam o que consideramos verdade.
  • Pós-Verdade e Desinformação: Um campo crítico em 2026, que analisa como emoções e crenças pessoais superam fatos objetivos na formação da opinião pública.
  • Epistemologia da IA: Investiga como sistemas de inteligência artificial "conhecem" e se esse processamento de dados pode ser equiparado ao conhecimento humano.

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Literatura, videos e filmes sobre a ditatura militar no Brasil (1964–1985)

 





 

A literatura sobre a ditatura militar no Brasil (1964–1985) é vasta, abrangendo desde registros históricos e obras de testemunho até ficções que exploram o trauma e a censura do período. 

 

Obras Históricas e de Não Ficção

  • "Brasil: Nunca Mais" (vários autores): Organizado por Dom Paulo Evaristo Arns, é o relato documental mais contundente sobre a tortura praticada pelo regime.
  • "1964: História do Regime Militar Brasileiro" (Marcos Napolitano): Oferece uma síntese acadêmica e acessível sobre os 21 anos da ditadura.
  • "A Ditadura Envergonhada / Escancarada / Derrotada / Acuada" (Elio Gaspari): Uma pentalogia considerada fundamental para entender os bastidores políticos do regime.
  • "Tanques e Togas" (Felipe Recondo): Analisa o papel do Supremo Tribunal Federal durante os anos de exceção. 

 

Literatura de Testemunho e Autobiográfica 

  • "O que é isso, companheiro?" (Fernando Gabeira): Relato clássico sobre a luta armada e o sequestro do embaixador americano.
  • "A Mother's Cry" (Lina Penna Sattamini): Memórias de uma mãe sobre a prisão e tortura de seu filho, combatendo o esquecimento histórico.
  • "Um copo de cólera" (Raduan Nassar): Embora focado em um conflito íntimo, reflete o clima de repressão e tensão da época. 
  • Batismo de sangue (Frei Betto). Relato do período de tortura sofrido pelo frei dominicano unto com o frei Tito que, uma vez libertado, se suicidou.

 

Ficção e Obras Censuradas

  • "Zero" (Ignácio de Loyola Brandão): Romance experimental que foi censurado por expor a violência e o caos social sob o regime.
  • "Feliz Ano Novo" (Rubem Fonseca): Livro de contos proibido na época por sua "brutalidade", refletindo o submundo urbano violento.
  • "O exército de um homem só" (Moacyr Scliar): Uma narrativa alegórica sobre as utopias e o isolamento político na década de 70.
  • "K. Relato de uma Busca" (Bernardo Kucinski): Obra contemporânea que ficcionaliza a busca real de um pai por sua filha desaparecida política. 

 

Lançamentos Recentes (2024–2026)

  • "Disputed Pasts" (Cristina Buarque de Hollanda e José Szwako, 2026): Analisa como a memória da ditadura molda as divisões políticas atuais no Brasil.
  • "A máquina do golpe, vol. 1" (vários autores, 2024): Explora as engrenagens militares e o apoio externo ao golpe de 64

 

Clássicos e Obras Publicadas Durante o Regime

Muitas destas obras utilizaram o alegórico ou o fragmentário para contornar a censura da época.

  • As Meninas (Lygia Fagundes Telles, 1973): Narra a vida de três universitárias em um pensionato de freiras em 1973, abordando temas como tortura, militância e repressão.
  • Quarup (Antonio Callado, 1967): Acompanha a transformação de um padre ingênuo que adere à luta armada após o golpe de 1964.
  • Zero (Ignácio de Loyola Brandão, 1974): Obra experimental que foi proibida pela censura por sua crítica ácida à violência e ao autoritarismo.
  • Pessach: A Travessia (Carlos Heitor Cony, 1967): Explora o dilema de um intelectual alienado que se vê forçado a tomar uma posição política.
  • Cadeiras Proibidas (Ignácio de Loyola Brandão, 1976): Coletânea de contos que utiliza o fantástico para falar do medo e da censura no cotidiano. 

 

Romances Contemporâneos e Memória

Obras escritas após a redemocratização que focam na busca por desaparecidos e nos traumas gerados pelo período.

  • K. Relato de uma Busca (Bernardo Kucinski, 2011): Inspirado em fatos reais, narra a angústia de um pai em busca de sua filha desaparecida pelos órgãos de repressão.
  • A Noite da Espera (Milton Hatoum, 2017): Primeiro volume da trilogia "O Lugar Mais Sombrio", focado na juventude em Brasília durante os anos de chumbo.
  • Pontos de Fuga (Milton Hatoum, 2019): Sequência que acompanha o protagonista em São Paulo durante o endurecimento do regime.
  • Os Substitutos (Bernardo Carvalho, 2025): Obra recente que entrelaça a memória da ditadura com a devastação da Amazônia e o genocídio indígena.
  • Anistia (Pedro Süssekind, 2022): Trata da abertura política em 1979 e do impacto emocional da Lei da Anistia em famílias de desaparecidos. 

 

Outras Perspectivas Literárias

  • Tereza Batista Cansada de Guerra (Jorge Amado, 1972): Romance vigoroso que aborda a luta popular e a resistência no auge da ditadura.
  • Na Teia do Sol (Menalton Braff, 2015): Explora as emoções de um militante forçado ao exílio interno em um esconderijo rural.
  • Sangue de Coca-Cola (Roberto Drummond, 1981): Mistura realidade e ficção para retratar a alucinação e a rebeldia da juventude sob o regime

 

O cinema brasileiro possui uma vasta produção que aborda a Ditadura Militar (1964-1985), desde obras contemporâneas premiadas até clássicos produzidos durante o próprio período. 

Filmes Recentes e Premiados (2024-2026)

  • O Agente Secreto (2025/2026): Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o filme foi destaque no início de 2026, vencendo prêmios como o Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa.
  • Ainda Estou Aqui (2024): Dirigido por Walter Salles, retrata a luta de Eunice Paiva após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, pela repressão. 

 

Dramas e Ficções Essenciais

  • Marighella (2019): Cinebiografia de Carlos Marighella, um dos principais líderes da luta armada contra a ditadura.
  • O Que É Isso, Companheiro? (1997): Baseado no livro de Fernando Gabeira, narra o sequestro do embaixador dos EUA por guerrilheiros em 1969.
  • Batismo de Sangue (2006): Foca no envolvimento de frades dominicanos na resistência à ditadura e a tortura sofrida por Frei Tito.
  • O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006): Mostra o período sob a ótica de uma criança cujos pais precisam fugir da perseguição política.
  • Zuzu Angel (2006): História da estilista que enfrentou o regime militar para encontrar o corpo de seu filho, Stuart Angel.
  • Pra Frente, Brasil (1982): Um dos primeiros filmes a abordar explicitamente a tortura enquanto o regime ainda estava em vigor.
  • Eles Não Usam Black-Tie (1981): Aborda a repressão aos movimentos sindicais e as tensões políticas da época. 

 

Documentários de Referência

  • Cabra Marcado para Morrer (1984): Obra-prima de Eduardo Coutinho sobre a vida de um líder camponês, cujas filmagens foram interrompidas pelo golpe de 1964 e retomadas 20 anos depois.
  • O Dia que Durou 21 Anos (2012): Explora a participação do governo dos EUA no golpe militar de 1964.
  • Que Bom Te Ver Viva (1989): Documentário que mistura depoimentos reais de mulheres torturadas com cenas de ficção.
  • Em Busca da Verdade (2015): Produção que acompanha os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. 

 

Filmes Censurados no Período

Alguns filmes tornaram-se símbolos da resistência por terem sido banidos ou censurados, como: 

  • Terra em Transe (1967)
  • O Bandido da Luz Vermelha (1968)
  • Macunaíma (1969)

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

FILMES E VIDEOS DE FILOSOFIA POLÍTICA

 





Para compreender o poder, a sociedade e o Estado em 2026, aqui estão recomendações essenciais de filmes, documentários e conteúdos em vídeo que abordam a filosofia política:

 

Filmes de Ficção e Biografias

  • Hannah Arendt (2012): Explora o conceito da "banalidade do mal" durante o julgamento do nazista Adolf Eichmann, essencial para entender sistemas totalitários e a responsabilidade individual.
  • A Onda (2008): Um experimento escolar que demonstra com que facilidade uma estrutura democrática pode ser convertida em uma autocracia fascista.
  • Argentina, 1985 (2022): Retrata o julgamento histórico das juntas militares na Argentina, abordando justiça de transição e o fortalecimento democrático.
  • V de Vingança (2005): Uma alegoria clássica sobre anarquismo, resistência civil e o controle estatal em uma sociedade distópica.
  • 12 Homens e uma Sentença (1957): Um estudo sobre o sistema jurídico, preconceitos e a busca pela verdade em um contexto de dever cívico. 

 

Documentários e Séries

  • Dossiê Jango (2013): Analisa a queda de João Goulart e as tensões geopolíticas que levaram ao golpe de 1964 no Brasil.
  • Game of Thrones (Série): Frequentemente citada como uma aula prática de realismo político e disputa crua pelo poder. 

 

Canais e Conteúdo em Vídeo (Youtube)

  • ICL Notícias / ICL Pós: Oferece debates sobre a sociedade brasileira contemporânea e desafios para 2026, unindo análise política e sociológica.
  • Filosofia do Cotidiano: Espaço voltado para a reflexão sobre o impacto das teorias políticas na vida prática e nas eleições futuras.

 

As obras mais importantes da filosofia política do século XX

 




 

As obras mais importantes da filosofia política do século XX redefiniram os conceitos de justiça, liberdade, poder e totalitarismo. Abaixo estão os títulos fundamentais:

  • O Povo do Abismo (ou outras obras sobre hegemonia), Antonio Gramsci: Embora seus Cadernos do Cárcere (escritos nas décadas de 1920-30) tenham tido impacto póstumo, suas teorias sobre hegemonia cultural são pilares da filosofia política de esquerda no século XX.

 

  • O Ser e o Nada (1943) – Jean-Paul Sartre: No campo político, fundamentou o existencialismo como uma filosofia de liberdade radical e engajamento contra a opressão.

 

 

  • O Caminho da Servidão (1944) – Friedrich Hayek: Defesa clássica do liberalismo econômico, argumentando que o planejamento central estatal inevitavelmente leva ao autoritarismo.

 

  • A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (1945) – Karl Popper: Uma crítica ao historicismo e aos fundamentos filosóficos do totalitarismo em Platão, Hegel e Marx, defendendo a democracia liberal.

 

 

  • As Origens do Totalitarismo (1951) – Hannah Arendt: Uma análise profunda sobre como regimes nazistas e stalinistas surgiram, focando no colapso das instituições e na ascensão da propaganda e do terror.

 

  • A Condição Humana (1958), Hannah Arendt: Analisa a vida ativa (labor, trabalho e ação) e a importância da esfera pública para a liberdade humana, sendo fundamental para o estudo das democracias e do totalitarismo.

 

 

  • O Capitalismo e a Liberdade (1962), Milton Friedman: Obra seminal do pensamento liberal econômico e político que argumenta que a liberdade econômica é condição necessária para a liberdade política.

 

  • Uma Teoria da Justiça (1971) – John Rawls: Considerada a obra mais influente do século, revitalizou o contratualismo e introduziu o "véu da ignorância" para definir princípios de equidade e justiça social.

 

 

  • Anarquia, Estado e Utopia (1974) – Robert Nozick: A principal resposta libertária a Rawls, defendendo o Estado mínimo e o direito absoluto à propriedade privada.

 

  • Vigiar e Punir (1975) – Michel Foucault: Embora transite pela sociologia, transformou a filosofia política ao analisar como o poder é exercido através da disciplina e das instituições de controle.

 

 

  • Ação Comunicativa (1981) – Jürgen Habermas: (Embora final do século) Reestruturou a teoria crítica ao focar no diálogo e no consenso como bases para a legitimidade democrática.

 

  • Estado, Governo, Sociedade (1985), Norberto Bobbio: Um dos principais filósofos políticos contemporâneos, cujas obras traduzidas sistematizam conceitos de democracia, direito e política.

 

  

 

domingo, 18 de janeiro de 2026

DOUTRINA MONROE


 


A Doutrina Monroe, sintetizada pela frase "América para os americanos", foi estabelecida em 1823 pelo presidente dos EUA, James Monroe. Originalmente, visava impedir que potências europeias criassem novas colônias ou interviessem nos recém-independentes países latino-americanos. 

Em janeiro de 2026, o conceito vive um forte ressurgimento na política externa dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, sendo frequentemente chamado de "Doutrina Donroe". 

Pontos Principais (Históricos e Atuais)

Lema Original (1823): Baseava-se em três princípios: a não colonização por europeus, a não intervenção europeia em assuntos americanos e o isolacionismo dos EUA em relação a conflitos europeus.

Evolução para o Imperialismo: Ao longo do tempo, a doutrina deixou de ser defensiva para justificar o intervencionismo americano no Hemisfério Ocidental, especialmente através do Corolário Roosevelt (política do "Big Stick"), que posicionou os EUA como uma "polícia internacional" na região.

Contexto em 2026 ("Doutrina Donroe"):

Alvo Principal: Atualmente, a doutrina é usada para combater a influência da China, Rússia e Irã na América Latina.

Ação na Venezuela: A estratégia fundamenta a pressão militar e sanções contra o governo de Nicolás Maduro, incluindo o uso de forças navais no Caribe.

Controle Regional: A nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA (2025/2026) reafirma explicitamente a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no hemisfério, focando em controle de fronteiras, combate ao tráfico e garantia de recursos minerais. 

Impactos Recentes

Em 2026, a aplicação dessa doutrina tem gerado realinhamentos políticos na região, com líderes como Javier Milei (Argentina) buscando proximidade com Washington, enquanto outros países buscam diversificar parcerias com o Sul Global para mitigar a pressão estadunidense

 

JUROS DOS ESTADOS

 



 

Quanto os Estados Unidos destinam para o  pagamento de juros e amortizações da dívida em percentagem?

Para o ano fiscal de

2026, as projeções indicam que os Estados Unidos destinarão aproximadamente 13,85% do orçamento federal (gastos totais) apenas para o pagamento de juros líquidos da dívida pública. 

Quanto a Itália destina para o pagamento de juros e amortizações da dívida em percentagem?

Atualmente, a Itália destina uma parte significativa do seu orçamento ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Embora os valores exatos possam variar de ano para ano, nos últimos anos esta percentagem tem oscilado em torno de 10% a 15% do orçamento do Estado. Este valor reflete o peso considerável da dívida pública italiana sobre as finanças nacionais, sendo um dos maiores da União Europeia.

 

Quanto a França destina para o pagamento de juros e amortizações da dívida em percentagem?

O valor que a França destina ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública varia de acordo com o orçamento anual e as condições económicas. Em geral, nos últimos anos, cerca de 10% a 12% do orçamento do Estado francês tem sido alocado para estas despesas. Este valor pode sofrer alterações consoante as taxas de juro, o montante total da dívida e as políticas financeiras adotadas pelo governo.

 

O sistema de juros da dívida externa de um país funciona como um aluguel pago pelo uso de capital estrangeiro, sendo influenciado por taxas globais, risco-país e variações cambiais. 

1. Definição das Taxas

Os juros podem ser estabelecidos de duas formas principais: 

  • Taxas Fixas: O percentual é definido no momento da emissão do título ou contrato e permanece inalterado até o vencimento.
  • Taxas Flutuantes: Variam conforme índices de referência internacionais, como a antiga LIBOR (atualmente substituída pela SOFR para o dólar). Em 2026, essas taxas são fortemente influenciadas pelas decisões do Federal Reserve (Fed) dos EUA. 

2. Composição do Custo (Spread)

O custo total que um país paga não é apenas a taxa básica internacional. Ele inclui um spread de risco, que aumenta conforme a percepção de instabilidade econômica do país devedor. Quanto menor a confiança dos investidores, maior o juro cobrado para compensar o risco de calote. 

3. Impacto Cambial

Diferente da dívida interna, a externa é geralmente denominada em moedas fortes (como o dólar). Isso cria um efeito cascata: se a moeda local se desvaloriza frente ao dólar, o montante necessário para pagar os mesmos juros aumenta proporcionalmente, mesmo que a taxa de juros nominal não mude. 

4. Credores e Instrumentos

Os juros são pagos a diferentes tipos de credores através de:

  • Títulos Públicos Externos: Papéis vendidos no mercado financeiro internacional.
  • Organismos Multilaterais: Empréstimos de instituições como o FMI ou Banco Mundial, que costumam ter taxas mais baixas, mas exigem contrapartidas de reformas econômicas. 

Cenário em 2026

Em janeiro de 2026, as projeções indicam que países em desenvolvimento continuam enfrentando altos custos de financiamento. Para o Brasil, a estimativa é que a taxa básica (Selic) encerre 2026 em torno de 12,25% ao ano, o que influencia indiretamente a confiança e o custo de novas captações externas. A dívida bruta brasileira deve atingir cerca de 82,4% do PIB neste ano.

 

Além da Pós-modernidade: Quem é "O Quarto Homem" de Gianfranco Morra?

  A obra filosófico-sociológica de Gianfranco Morra, "O Quarto Homem: Pós-modernidade ou Crise da Modernidade?", analisa a transiç...