terça-feira, 15 de setembro de 2026

CURSO DE METAFÍSICA-PROVA FINAL

 


FACULDADE CATÓLICA DO AMAZONAS

Propedêutico do mestrado em Direito Canônico 



 

 

Professor: Paolo Cugini

e-mail: manausfcm@gmail.com

link da prova final: https://paideiafca.blogspot.com/2026/09/curso-de-metafisica-prova-final.html

 

O/a candidato/a deve responder á duas das seguintes perguntas

 

1.      Qual é o sentido da metafisica e porque marca a história do pensamento Ocidental de uma maneira tão profunda?

 

2.      A metafisica clássica tem com referência dois autores: Platão e Aristóteles. Quais são os pontos essenciais de cada um destes dois sistemas filosóficos e onde diferem?

 

3.      O cristianismo na sua fase de elaboração dogmática, sobretudo nos Concílios ecumênicos de Niceia (325) e de Calcedônia (451) fizeram grande uso dos conceitos da metafisica clássica. O candidato deve indicar alguns destes conceitos e escrever o rumo que tomou o Cristo dos Padres comparado com o Kerigma do Novo Testamento.

 

4.      Pontos essenciais da Metafisica moderna: de Leibniz até Hegel passando por Kant.

 

5.      Os temas da grande crise da metafisica contemporânea e porque se fala de pós-metálica

 

6.      Pontos essenciais da metafisica relacional e a sua ligação com a física quântica. 

2 comentários:

  1. 1. Qual é o sentido da metafísica e por que marca a história do pensamento Ocidental de uma maneira tão profunda?
    Resposta: A metafísica é a área da filosofia que busca compreender a realidade em seus fundamentos mais profundos. Ela procura responder perguntas sobre o ser, a existência, a causa de todas as coisas, a verdade e o sentido da realidade, indo além daquilo que podemos perceber apenas pelos sentidos.
    Ela marcou profundamente o pensamento Ocidental porque, desde os filósofos gregos, principalmente Platão e Aristóteles, passou a existir uma preocupação em compreender não somente como as coisas acontecem, mas também porque elas existem e qual é o seu fundamento. A metafísica influenciou a filosofia, a ciência, a religião e a maneira como o ser humano passou a pensar sobre si mesmo e sobre o mundo.
    Por isso, sua importância está na tentativa de buscar os princípios últimos da realidade e compreender aquilo que está por trás das coisas que conhecemos.

    2. Platão e Aristóteles: pontos essenciais e diferenças
    Resposta: Platão e Aristóteles são dois dos principais representantes da metafísica clássica, mas possuem maneiras diferentes de explicar a realidade.
    Para Platão, existe uma realidade superior formada pelas Ideias ou Formas, que são eternas e perfeitas. As coisas que conhecemos pelos sentidos são apenas cópias imperfeitas dessas realidades. Assim, o verdadeiro conhecimento não depende somente dos sentidos, mas principalmente da razão.
    Aristóteles, por sua vez, não separa a realidade em dois mundos. Para ele, a realidade está nas próprias coisas que existem. Ele explica os seres a partir da união entre matéria e forma e utiliza também as quatro causas para compreender por que as coisas existem e como são constituídas.
    A principal diferença entre os dois está justamente na maneira de compreender a realidade. Platão coloca as Ideias em uma realidade superior e separada do mundo sensível. Aristóteles entende que a forma está presente nas próprias coisas e que podemos conhecê-las observando a realidade e utilizando a razão.

    ResponderExcluir
  2. 5. A grande crise da metafísica contemporânea surge do questionamento das pretensões da metafísica clássica e moderna de oferecer uma explicação universal e definitiva do ser e da realidade. Autores como Nietzsche, Heidegger e outros pensadores contemporâneos colocaram em discussão os fundamentos tradicionais da metafísica, criticando conceitos considerados absolutos, fixos e independentes da história.
    Entre os principais temas dessa crise estão a crítica ao fundamento absoluto, a crise da ideia de uma verdade única compreendida de maneira puramente racional, a valorização da historicidade, da linguagem, da existência concreta e da pluralidade das interpretações. Heidegger, particularmente, critica a tradição metafísica por ter privilegiado os entes e esquecido a pergunta fundamental pelo Ser.
    Por isso, fala-se em pós-metafísica. O termo não significa simplesmente o desaparecimento da metafísica, mas a tentativa de pensar a realidade depois da crise dos grandes sistemas metafísicos. O pensamento pós-metafísico abandona a pretensão de construir um sistema fechado e absoluto e procura compreender o ser a partir da relação, da historicidade, da linguagem, da alteridade e da abertura ao mistério.
    Assim, a crise da metafísica não significa necessariamente seu fim, mas a necessidade de repensá-la em novas categorias, superando uma visão estática e individualista do ser.
    Referências: Nietzsche; Martin Heidegger, Ser e Tempo; crítica contemporânea da metafísica; pensamento pós-metafísico.
    6. A metafísica relacional procura compreender a realidade não a partir de seres isolados e autossuficientes, mas a partir das relações. Nessa perspectiva, a relação não é simplesmente algo acrescentado posteriormente aos seres: ela pertence à própria maneira como a realidade existe e se constitui.
    Seus pontos fundamentais são a primazia da relação, a interdependência, a abertura ao outro, a comunhão e a compreensão dinâmica da realidade. O ser não deve ser pensado apenas como substância fechada em si mesma, mas como realidade que existe e se realiza também por meio de suas relações.
    Essa perspectiva encontra pontos de diálogo com a física quântica, que modificou determinadas concepções da física clássica sobre matéria, causalidade e separabilidade. No mundo quântico, determinados fenômenos mostram que as propriedades de um sistema não podem ser compreendidas simplesmente considerando suas partes de maneira totalmente isolada. Fenômenos como o emaranhamento quântico evidenciam correlações entre componentes de um sistema mesmo quando estão espacialmente separados.
    Isso não significa que a física quântica prove filosoficamente a metafísica relacional. A relação entre ambas deve ser entendida como um diálogo interdisciplinar: certas descobertas da física contemporânea ajudam a questionar uma concepção puramente mecanicista e atomizada da realidade e favorecem a reflexão filosófica sobre relação, interação e interdependência.
    Portanto, a metafísica relacional propõe compreender o ser como ser-em-relação, enquanto a física quântica oferece elementos científicos que estimulam uma visão da realidade menos isolada e mais interconectada.
    Referências: metafísica relacional; física quântica; princípio de complementaridade; emaranhamento quântico; reflexão filosófica contemporânea sobre relação e interdependência.

    ResponderExcluir

O Logos, a harmonia cósmica e a exegese do Gênesis

  A influência platônica na teologia da criação em Filo, Basílio e nos últimos livros das Confissões de Agostinho   Paolo Cugini   Resumo O...